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Livros para adiar o fim do mundo

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

Livros para adiar o fim do mundo

30
Jan20

Livros a ler

livrosparaadiarofimdomundo

Há sempre livros a ler, sempre. 

Listá-los aqui é uma forma de não me esquecer.

Depois de ler Atos Humanos, de Han Kang (sai o post amanhã, que eu sou uma pessoa organizada e li um outro antes deste), fiquei absolutamente rendida a esta escritora, pelo que quero ler os outros dois que estão publicados em português e, melhor ainda, existem da Biblioteca Escolar:

Wook.pt - A Vegetariana

Wook.pt - O Livro Branco

Ainda não coloquei na lista aqui do blog, mas já consta na lista do meu coração o mais recente de Chico Buarque, outro escritor de culto para mim.

Wook.pt - Essa Gente

Li a sinopse e fiquei curiosa, por isso também listei

Wook.pt - Britt-Marie esteve aqui

Se algum dos leitores deste humilde e muito pessoal blog já tiver lido algum destes, agradeço a vossa opinião.

Até logo, que hoje é dia de post sobre livros lidos.

 

27
Jan20

#3/2020 - Pedra de afiar livros e outras histórias de um livreiro, Jaime Bulhosa

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Pedra de Afiar Livros e Outras Histórias de um Livreiro

Editora: Oficina do Livro

Páginas: 270

Género: memórias/biografia

Modo de ler: empréstimo (orgulho por não ter comprado)

Para Guardar:

"A vida e a mentira são sinónimos"

"A arte de agradar é a arte de enganar"

 

Autran Dourado, autor brasileiro que estudei aprofundadamente, recorreu, a propósito das memórias ficcionais de uma das suas persoangens, à metáfora do bordado, o livro que ia escrevendo dessa forma, assemelhar-se-ia a um bordado que se vai mantendo ao longo dos tempos, completando-se ponto após ponto, num vagar que é a verdade de não ter pressa de acabar. Quem não se lembra do bordado de Maria Eduardo em Os Maias?

Essa é a metáfora que se adequa ao prazer que me deu a leitura deste livro e que se justifica/explica por pormenores delicados. Eu gostei de tudo neste livro, começando pela capa que indicia a multiplicidade de livros a que se faz referência ao longo destas páginas e que anotei, em alguns casos relembrei, a intenção de ler, em especial O Deus das Moscas. Porque este é um livro escrito por um livreiro que ama a sua profissão e que levou muito à risca um dos deveres que, a páginas tantas, enuncia num dos fragmentos: o dever de ler. É, por isso, um livro de quem gosta de livros para todos aqueles que gostam de livros. Mas também para os outros que, apesar de não gostarem, sentem, por vezes, o impulso, a "pena" de não ler. Ora se começarem por aqui, decerto que vão sentir aguçada a curiosidade e, indubitavelmente, vão gostar, porque me parece impossível que não se goste deste livro.

A sua estrutura fragmentada - há dias, uma aluna dizia-me que eu gostava muito de livros fragmentários, mas a verdade é que é uma forma muito conveniente de texto e de leitura - permite que o leiamos a qualquer momento, sem receio de perdermos o fio à meada. Por outro lado, a ordem também pode ser a que queiramos. Pode começar-se pelo fim, pode folhear-se e escolher-se uma história ao acaso, enfim, é quase um texto enciclopédico, porque podemos ir por qualquer "entrada", qualquer verbete.

As histórias que o compõem são de índole muito diversa: roçam, em alguns casos, o fantástico; noutros a curiosidade; por vezes, o registo biográfico, a memória; noutros casos, aproximam-se do livro de instruções, mas em todos a presença do livro e do prazer da leitura. É a oportunidade de usufruir de pequenos prazeres que fazem lembrar a entrada filosófica do início do filme Forrest Gump, este Pedra de Afiar  é também como uma caixa de chocolates, nunca sabemos o que cada uma destas histórias nos trará.

Adoro este livro e, embora o tenha lido como empréstimo, a verdade é que quero muito tê-lo, porque é um daqueles textos a que podemos sempre voltar a propósito de tudo e de nada, recorrendo aos seus fragmentos para múltiplas coisas, inclusivamente para as reler. Gostei de "conhecer" Jaime Bulhosa, também, alguém que se lembra do nome "Pós dos livros" para uma livraria é alguém que valerá a pena conhecer.

 

 

 

 

27
Jan20

Acabados de chegar

livrosparaadiarofimdomundo

Aconteceu o meu aniversário.

Felizmente, começaram a oferecer-me livros. Eu continuei a ofercer-me livros (também um perfume, um casaco, umas botas, que uma mulher lá por gostar de ler não tem de andar feia. Culta, sim, bem arranjada, sempre)

Chegaram aqui a casa 

Wook.pt - Augustus

Como estava em fase de começar um novo livro (não me estava a apetecer pegar nos duzentos que já tenho começados), comecei logo. Os 50 celebram-se em grande! As primeiras páginas são verdadeiramente promissoras. A profundidade da escrita de Williams é absorvente. Que ritmo frásico. Que personagens tão complexas. Já estou fã!

Wook.pt - Arde o Musgo Cinzento

Passei, muito a propósito pela Bertrand, que tinha lá uns títulos da rubrica Ler mais por menos. Estava lá este. Despertou-me a atenção o título, depois o facto do autor ser islandês. A minha incursão nesta literatura foi feliz, portanto trouxe-o. Expectativa!

Wook.pt - Khadji-Murat

E ao lado, na mesma rubrica, estava este. Já tinha estado para o comprar noutras ocasiões. Veio pelo preço convidativo e é o nosso Lev Tolstoi, deve querer dizer alguma coisa. 

Mantenho os planos para os próximos 50 anos: Ler até que os olhos me doam! Conheço a sensação e não é isso que me vai fazer desistir.

Ainda há uma promessa de chegar outro livro. Espero que as pessoas saibam que as promessas são para manter.

Agora vou trabalhar, que os livros não são de graça.

21
Jan20

#2/2020 - Os peixes não têm pés, Jón Kalman Stefánsson

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Os Peixes Não Têm Pés

Género: não sei bem!

Páginas:344

Editora: Cavalo de Ferro (Graças, senhor, por esta editora)

Para Guardar

"Nada nos assusta tanto quanto a confusão";

"Quem não se adapta está sempre errado";

"Choramos porque a linguagem é imperfeita" - candidato a máxima de vida;

"É por isso que o mar faz de nós homens"

 

Começo pelo mais óbvio: QUE LIVRO!!

Os peixes não têm pés  é um livro que namorei desde o ano passado. Mas, infelizmente, os livros não são de graça, pelo que tive de esperar, não até ter dinheiro, que isso é condição que não passa de ficção, mas até ter coragem de o gastar. Conhecia o autor da absolutamente fantástica e maravilhosa trilogia: Paraíso e Inferno, A tristeza dos Anjos, Coração do Homem , que recomendo com a mesma convicção. Este novo livro do autor não desilude, mantém o nível bem elevado da escrita, a mesma nostalgia, o mesmo discurso entre o coloquial e o reflexivo, sem que o narrador se coiba de mostrar a sua presença pelos comentários que tece, pela forma como se funde com o espírito das personagens que descreve.

Estas páginas tentam - e conseguem - responder a uma questão que atravessa toda a obra: que significa ser islandês? Parece que significa a capacidade de viver num clima mais do que inóspito, em paisagens quase lunares, batidas pelo vento, pela neve, pelo frio glacial, pelo mar - omnipresente e com o qual os homens se identificam, se cumprem, se afirmam, ainda que nele possam naufragar. Na verdade, a paisagem islandesa está lá sempre como pano de fundo, os fiordes, as montanhas, a costa, os promontórios, as "facadas do vento norte". Além de viver na Islândia, os islandeses vivem do mar, aliás todo o tecido económico parece depender do mar e do processamento do peixe, quase se sente o cheiro da seca do peixe, o frio das fábricas, o desespero de uma população que parece condenada a viver no rés da vida, dependente de leis económicas que não conhece, mas que condicionam o seu dia a dia.

A ação está intimamente relacionada com os ciclos económicos da Islândia, cujo desenlace chegou a fazer as manchetes dos jornais internacionais "quando a economia foi pelo ralo abaixo". A esta portuguesa que vos escreve, a Islândia sempre pareceu um país quase perfeito, mas, segundo a perspetiva deste autor, afinal não. Perpassa pelas páginas do livro toda uma análise política e económica, perspetivada a partir das classes mais baixas da sociedade, a quem resta sentir os efeitos, sem conhecer abosutamente as causas. Há uma clara intencionalidade crítica na denúncia do poder do dinheiro, da ambição desmedida, da selvajaria do capitalismo, da dependência da Islândia dos países vizinhos e do suspeito do costume, dos EUA, que mantiveram aí bases militares.

As personagens de Stefánsson são sempre marcadas pela estranheza, são marginais, porque não se encaixam, porque não se daptam e, no entanto, são sublimes, épicas, grandes quando reduzidas à sua condição humana, frágeis, sonhadoras, crentes. Aquilo que, a maior parte das vezes, a sdisitngue é o amor pelos livros, a crença na poesia, a necessidade da arte, em especial a música. Todas parecem tocadas pelo onírico, pela fome do absoluto, pela vontade de se desprenderam das limitações humanas, aspirando a realizaçãoes que são etéreas e impalpáveis, muitas vezes explicadas pelo facto de lerem, o que as torna motivo de desprezo por parte dos outros. São também capazes de viver o amor de forma absoluta, arrebatada, intensa. No entanto, o amor também pode pode sofrer a erosão do tempo, também decai, diminui, se apaga, se desilude e, por fim, faz sofrer.

Outro aspeto que se mantém desde os livros anteriores é a abordagem da questão de género. As mulheres são objeto de papéis bem demarcados, não muito longe do gineceu grego, devem dedicar-se aos maridos, aos filhos ao lar, guardar decoro, agirem de acordo com o guião social e dele nnca se afastarem sob pena de serem ostracizadas, relegadas, violentadas, ao mesmo tempo que expõem ao ridículo so seus homens.

E os livros, tão omnipresentes como o mar, o vento ou a neve. Os protagonistas destas histórias leem sempre, o livro ora como objeto estranho, ora como preciosidade, ora até como motivo de morte.

Apetece-me pedir-vos, por favor, que leiam este livro. É tão bonito! a linguagem é tão sensitiva, tão bela, tão poética, tão concreta na sua abstação. É um livro maravilhoso, reflexivo, atual, poderoso, triste, autêntico... já tinha dito atual?

 Ah, gostava tanto de ir à Islândia...

 

 

 

19
Jan20

Viajar com livros: O Velho expresso da Patagónia, Paul Theroux

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - O Velho Expresso da Patagónia

Género: literatura de viagens

Páginas: 584

Editora: Quetzal

Eu, pecadora, me confesso: a literatura de viagens não costuma ocupar muito espaço nas minhas estantes, apesar de acreditar, religiosamente, que os livros nos permitem viajar. Ora no que toca a livros de viagens estou assim com um pé na heresia.

Já conhecia Paul Theroux de O Outro Lado do Paraíso, que é um romance e que nos coloca perante um viajante que vai para Áfica procurar o paraíso que acredita existir por lá... mas hoje não vinha falar deste livro. Como sabem, gosto sempre de contar como é que os livros me "acontecem", este foi ser livro do dia na Feirado Livro de 2019 a um preço verdadeiramente de livro do dia - às vezes, estes preços são enganadores, pelo amor de Deus, um desconto de dois ou três euros até o Continente dá, ou o cartão aderente da Fnac, ou o cartão de leitor da Bertrand, para isso, não íamos à Feira do Livro. 

O Velho Expresso da Patagónia, conforme se percebe no prefácio, parte de um pressuposto diferente - segundo o autor - da maioria dos relatos de viagem, visto que não trata de um roteiro por esse território quase místico que é a Patagónia, pelo menos a ajuizar pela quantidade de relatos que aí vão buscar inspiração. Não, Theroux conta-nos mesmo a viagem que o leva de Massachusetts, onde apanha um comboio para Boston, juntamente com centenas de outros que partilham o transporte com ele, mas não o destino. Ao passo que as outras pessoas apanham um comboio suburbano para se dirigirem para o trabalho, Theroux apanha-o como etapa inevitável para chegar até Boston onde tomará um comboio intercontinental. 

O livro é composto do relato desse trajeto, estação após estação, rosto após rosto, conversa depois de conversa, longos olhares à paisagem que corre pelas janelas de cada um dos comboios.Mas, claro que não é só isso, é uma soma de pequenas histórias, é um cuidadoso relato sobre imensas circunstâncias, é um ensaio social, político e económico, é um texto de geografia, é um livro de memórias, é um estudo medidativo. Nele cabem outros géneros e outras intencionalidades. Na verdade,  resumir estas páginas a um relato de viagens é injusto para o livro, o pretexto da viagem é imagem do ato de atirar uma pedra à água e ficar a contemplar os círculos cada vez mais largos que se vão desenhando na superfície. Theroux amplifica enormemente cada um dos círculos, oferecendo-nos um relato que se lê com prazer, com curiosidade, com interesse, mantendo-nos presos ao seu livro como se de um romance de aventuras se tratasse.

Também gosto muito de livros que me permitem aprender. A verdade é que até este Expresso eu tinha a geografia do continente sul americano um bocadinho baralhada na minha cabeça. Com a curiosidade que o livro me despertou e para perceber exatamente em que ponto da viagem o autor se encontrava, sustentei a leitura com muita pesquisa na Internet. Daí que tenha ficado com um mapa muito claro desenhado no meu espírito. Ignorante me confesso, eu que achava que o México se limitava ao estreito que une a América do Sul à América do Norte, descobri que afinal este país ainda ocupa uma faixa de territória na América do Norte. O canal do Panamá, bem como o regime fiscal deste país, foram outros tópicos que esclareci. Fiquei a saber muito sobre as enormes dificuldades técnicas que a abertura do canal levantou, em particular tendo em conta o desnível entre os oceanos que une, bem como a diferença ente correntes.

Fiquei com os olhos cheios da imensidão do Lago Gatún, fiquei sonolenta com a descrição da lentidão de algumas composições, fiquei com a garganta seca de atravessar a Patagónia e exultei com o autor quando finalmente tomou o Velho Expresso da Patagónia e terminou a sua viagem - e o seu relato - e voltamos ambos para casa. Leiam este livro, eu gostei tanto que comecei a pesquisar também viagens de comboio.

PARA GUARDAR: a explicação, no início do livro, da diferença profunda que existe entre chegar aum destino depois de uma viagem de avião ou depois de uma viagem de comboio (ou de carro, ou a pé, ou de outra forma menos instantânea), sendo que segunda nos permite interiorizarmos as diferenças na paisagem, no clima, nas pessoas, nas cidades, vilas ou aldeias...

 

 

13
Jan20

Livros que deram um filme: Brooklyn, de Colm Tóibín

livrosparaadiarofimdomundo

 

Wook.pt - Brooklyn

Gosto muito de livros que me acontecem. Quero com isto dizer, aqueles que se começam a impor nos meus interesses, de tal forma que o apelo para os ler se torna irresistível. Ao contrário do que me costuma acontecer, no caso de Brooklyn, vi primeiro a adaptação ao cinema. Devem recordar-se do excelente filme com Saoirse Ronan, que inclusivamente foi candidato ao Óscar de melhor filme, do qual gostei mesmo muito e que recomendo também.

Já ninguém deve poder ler aqui que fui à Irlanda e blá, blá, blá, livros, etc. Mas a verdade é que este livro chegou por esta via. Quando vi o filme não me apercebi que, no princípio, era o livro e, quando soube, não me apeteceu ler o livro. Errado! Mas vou aprendendo. Entretanto, não é que estive em Enniscorthy e que visitei um castelo que por lá existe, num dia de verão irlandês, leia-se de chuvinha acompanhada de uma névoa mística que nos impelia a procurar lugares cobertos e, quiçá, aquecidos. Pois, lá andávamos pelo castelo, com o seu ar de casa das nossas avós (da minha avó não, certamente), sem ninguém a aborrecer-nos e, num dos andares, o que é que existia? a recriação dos cenários do filme, cujas cenas irlandesas foram filmadas na cidade, bem como detalhes da vida do escritor, do sucesso do livro e ainda recortes de notícias de jornal que davam conta do enorme entusiasmo, euforia mesmo, que a rodagem do filme por lá despertou. Recriadas no castelo, estavam a sala de estar da mãe de Eillis e a loja onde ela trabalhava aos domingos, depois da missa. O cenário da loja era encantador, com a recriação das embalagens da época em que a ação do livro/filme se desenrola. Assim sendo, imaginam o que é que fiz tão logo pude em Portugal. Adivinharam. Comprei o livro e li-o.

Brooklyn de Colm Tóibín é um livro maravilhoso. Sóbrio, contido, uma história simples, mas com a grandeza de todas as histórias que nos colocam perante os dilemas da vida humana. Efetivamente, a maior parte das vezes, não é pela história que amamos os livros, é pela maneira como essa história é contada. Tóibín penetra profundamente na consciência de Eillis, a narrativa acompanha a sua vida na Irlanda, dependente da mãe e da irmã, sem perspetivas de emprego, como toda uma geração de jovens irlandeses que se viu obrigada a procurar no outro lado o Atlântico uma nova vida, como tantos portugueses, como tanta gente por esse mundo fora. A oferta de um emprego nos EUA mergulha Eillis num profundo dilema, pois isso implica deixar a sua família, a sua cidade, os seus amigos, as paixões juvenis que vão brotando. A descrição da viagem de barco de Eillis vale uma boa quota do livro, assim como a narrativa do seu primeiro ano nos EUA. 

Quando a vida de Eillis tinha estabilizado, quando até o amor tinha encontrado, quando as saudades de casa pareciam a cicatriz de uma ferida que não sarara, mas permitia viver, um acontecimento inesperado obriga-a a regressar à Irlanda. Aí, a humilhação que tinha conhecido por parte dos seus coterrâneos dá lugar à curiosidade e ao fascínio. Eillis é agora uma “estrangeirada”, que se refinou, que veste de maneira diferente, que representa o exótico dos que partiram e depois regressaram. E é aqui que  o dilema maior da vida desta jovem se prefigura diante dela: ficar ou partir, que promessas honrar, que escolhas fazer.

Este romance é delicado, feminino, sem que este adjetivo traga qualquer carga pejorativa, de muito agradável leitura e coloca-nos perante uma história cujos contornos nos levam a ver o outro, seja o que chega ao nosso mundo, seja o que parte dele, com outros olhos. Uns olhos mais humanos, mais compreensivos, mais compassivos. O êxodo, a emigração não é como uma viagem de lazer, é um desenraizamento doloroso, é uma aprendizagem, é um processo, é a vida com as suas alegrias e tristezas. Emigrar começa por ser escolher e as escolhas nunca são fáceis.

13
Jan20

Livros a Ler

livrosparaadiarofimdomundo

A propósito das promoções que a wook está a fazer, descobri dois livros que me parecem bastante merecedores de integrar as muito seletivas prateleiras da minha estante:

Wook.pt - Uma Caneca de Tinta Irlandesa

continuo na pesquisa de autores irlandeses e, na linha dos desafios, fica para o item "ler um livro de um autor que ainda não conhece", e 

Wook.pt - O Escritor-fantasma

que... pertence ao mesmo item, mas, quando se trata de livros, parece que não consigo ficar pela unidade, a adição é uma operação irresistível.

Enfim, encomendados hoje. Ainda faltam muitas horas para as 24 que dizem que demora a entrega? Acham que eu tenho um problema? Sou daquelas pessoas que acumulam? Bem, pelo menos, se for esse o caso, não é lixo, sempre são livros, dá assim um toque intelectual, sei lá...

 

07
Jan20

10 livros para ler e entender o Brasil

livrosparaadiarofimdomundo

Publico mais uma lista. Tenho uma especialização em literatura brasileira. Há, neste país, grandes escritores. Conhecer a literatura de um país é conhecer o país e compreender o seu devir. 

Vou guardar com carinho para ler mais tarde.

https://www.correio24horas.com.br/amp/nid/veja-lista-com-dez-livros-para-ler-e-entender-o-brasil-em-2020/?fbclid=IwAR2NY5OcOw6wsCNEl__F6hZO6KmJnE49L3QZcTkdPSS1S3qLsssVeR3vqWM

 

06
Jan20

A Boneca de Kokoschka, de Afonso Cruz

A imaginação criativa

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - A Boneca de Kokoschka

Afonso Cruz é um dos meus escritores favoritos. Os seus livros são sempre imaginativos, poéticos, como na pintura de Chagal, há como que uma quebra das leis da matéria. Essa dimensão quase onírica da sua escrita deixa-me sempre de sorriso na cara a cada pagina que leio. Cada vez que termino um dos seus livros, fico com a sensação de que fiz algo que valeu a pena. Estes textos valorizam-nos, porque nos aproximam mais da essência da humanidade. Além disso, a ação dos seus romances surge muitas vezes deslocada no tempo e no espaço, emoldurada por um traço de exotismo que parece herdeiro do realismo mágico dos sul-americanos, como Gabriel Garcia Márquez

Boneca de Kokoschka não é exceção. Partindo de uma relação improvável entre um vendedor de pássaros e uma criança que foge de um atirador nazi em Dresden, vindo a refugir-se na cave da loja de Bonifaz Vogel, com ele comunicando através das tábuas do soalho, sem que a Vogel lhe ocorra que há corpo de onde parte a voz que escuta. O espaço da ação é, assim, a cidade bombardeada de Dresden, mas este período de guerra, apesar de "os vivos ficarem cada vez mais mortos" , é pintado com as cores da poesia, através do olhar inocente de Vogel, o que me fez lembrar um pouco o filme A vida é bela. De facto, mesmo no meio do horror, a vida pode ser bela, se houver homens e mulheres belos que não se deixam contaminar por aquilo que os rodeia. 

Mas, como sempre, a ação evolui de forma supreendente, num espiral de acontecimentos que se vão relacionando, ainda que a descoberta desses nexos não deixe de ser surpreendente e de deixar o leitor boquiaberto, desenhando o mesmo O que a boca de Vogel desenha permanentemente no seu rosto. As páginas do romance estão pontuados com desenhos de Afonso Cruz, remetendo um pouco para as páginas de O Principezinho de Exupéry. 

O título do romance remete para uma narrativa encaixada na narrativa principal. No entanto, este encaixe não é deixado ao acaso. Está graficamente demarcado, tem direito a capa, a editora, a autor, a numeração de capítulos. é uma história de amor, de ação, de roubo, de infelicidade, de felicidade.

As metáforas estão por todo o livro: as gaiolas, as bombas, o coxear de Isaac Dresdner, a música. Servem para abrir a nossa mente, para aprendermos a deslocar o nosso olhar, para aprendermos a ver mais com o coração e menos como os olhos. Servem a Educação Visual, sobretudo a que se dirige à forma como descobrimos o outro.

Não faltam ao romance os ingredientes das grandes narrativas de ação: o amor, a traição, as famílias, a morte, a guerra, o sonho, a demanda, a descoberta, mas a linguagem em que a ação vem "embrulhada" é que é verdadeiramente singular e surpreendente, com passagens tão belas como "Um pessimista é um acorde menor". Para mim, é pela linguagem que "frequento" Afonso Cruz, embora o desenrolar da intriga seja igualmente cativante.

Visitem este livro, deixem que a boa literatura vos disponha bem, que estas palavras assim conjugadas vos levem a acreditar no género humano de forma teimosamente otimista. Cultivemos, através das histórias, a persistência do enelevo, da ternura, do sonho, do amor. Depois deste livro, olharemos o mundo com benevolência... ainda que os noticiários não deixem a ilusão durar muito, mas há livros assim, que adiam o fim do mundo, nem que seja durante o tempo que dura a sua leitura.

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