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Livros para adiar o fim do mundo

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

Livros para adiar o fim do mundo

10
Fev20

Li num livro #1

livrosparaadiarofimdomundo

"Mas afinal, o que é que eu tenho a ver com isto? Quer dizer, ainda se eu tivesse votado no Hitler, como a maioria... Mas eu não queria vir para esta trapalhada, tão-pouco quanto tu. Não tenho inimigos, ou pelo menos não tenho ninguém que queira matar. Isto é uma guerra de cínicos, que não acreditam em nada a não ser no direito do mais forte. Vendo bem, não passam de uns fraquitolas e pobres de espírito, eu bem vi que era assim no campo de batalha. Espezinham quem está por baixo, curvam a cerviz para quem está por cima e massacram mulheres e crianças. - De cigarro na boca, espremeu alguma pomada para o dedo e prosseguiu, falndo baixo, como de si para si: - E são tipos como este que estão autorizados a tirar-me a vida"

in, Morrer na Primavera, Ralf Rothmann 

10
Fev20

50 livros que toda a gente devia ler - lista

livrosparaadiarofimdomundo

 

Deixo o link de mais uma lista. Não é novidade, é do Expresso e é de 2012. Assenta muito nos clássicos mas por isso é que são clássicos. Independentemente da lista e da época, mantêm-se consensuais e, em muitos casos, atuais, logo intemporais. (quem é que escolheu três palavras seguidas coma mesma terminação, quem foi?)

https://expresso.pt/cultura/Livros/50-livros-que-toda-a-gente-deve-ler=f747892

Daqui retirei para ler:

Wook.pt - Ulisses

Vou tentar requisitar.

Wook.pt - O Processo

Creio que tenho em casa... acho, ou será Metamorfose?

Wook.pt - Memórias Póstumas de Brás Cubas

Tenho em casa.

Wook.pt - O Grande Gatsby

Vou pedir emprestado!

Wook.pt - Submundo

Nunca li nada deste autor. É preciso arriscar.

Wook.pt - As Aventuras de Augie March

Tenho em casa e, inclusivamente, já está começado... mas será preciso recomeçar. Ninguém me manda ser beija-flor nas leituras.

A maior parte dos títulos já li. Os restantes ainda não é o momento.

Boas leituras!

09
Fev20

#7/2020 - Morrer na Primavera, Ralf Rothmann, por trás das fileiras do exército nazi

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Morrer na primavera

Editora: sextante

Género: romance de guerra/ memórias

Páginas: 236

Para guardar

"Isto é a guerra, é o trabalho mais duro que possas imaginar."

"Trazer um ser vivo ao mundo é o trabalho mais árduo que existe. Qualquer idiota é capaz de destruir e de matar".

Morrer na Primavera é o primeiro romance de Ralf Rothmann publicado em Portugal. É uma obra reconhecida, galardoada com o Prémio Kleist, o mais prestigiado prémio de língua Alemã e, apesar de a ação decorrer nos últimos meses da II Gerra Mundial, como refere a cronista do El País , é profundament humano e pacifista.

O mais interessante neste romance é situar-se atrás das fileiras do exército nazi, quando as chefias estão conscientes de que a Guerra está perdida e que o avanço das tropas aliadas é inevitável e incontrolável. Ainda assim, continuam a mobilizar todos quantos puderem combater, de qualquer idade, sujeitando-os a uma recruta breve e enviando-os para a frente, obedecendo ao lema "Minha honra chama-se lealdade". Nesses últimos dias do conflito, a deserção era punida com a morte e os soldados alemães viam-se assim encurralados entre a apertada vigilância da Polícia militar e o receio de serem feitos prisioneiros, em especial pelas forças russas. Esta é uma das linhas narrativas que fica claramente explícita na indicação do Führer: "um soldado na frente pode morrer, um desertor tem de morrer".

Atrás das linhas nazis há soldados jovens, muito jovens, mobilizados à força, desligados da propaganda nazi, aterrados com a ideia de morte, esperançados na possbilidade do regresso para assim retomarem as suas vidas interrompidas, voltarem para os braços das namoradas tão jovens quanto eles, até mesmo para os braços das mães. Dentre eles, o romance foca-se em Walter e Friedrich, dois amigos de dezassete anos, que trabalhavam juntos numa vacaria e que vivem juntos o horror desses meses. Partilham com todos os outros a expectativa que a guerra acabe antes de serem mortos.

O romance é focalizado em Walter, que se torma motorista da Unidade de Reabastecimento e que, mercê dessa função, tem bastante mobilidade e, através dos seu olhar ainda inocente vão desfilando os quadros apocalíticos, caóticos, de violência e provação que soldados e população vão vivendo. É a fome e toda a sorte de carências, são os bombardeamentos, as feridas, os piolhos, o sangue, os cadáveres, o cheiro, a indiferença, a perda da dignidade. Mas estão lá também o deboche, a desumanidade, a insanidade. No entanto, o discurso é contido, sem nunca ceder à facilidade do sensacionalismo, tratando este tema tão delicado com inteligência e sensibilidade, mas dando-nos um libelo contra a guerra, contra esta arbitrariedade de jovens serem arrastados para a morte devido aos desmandos de outros, mais fortes a quem interessa o jogo do poder. Assim, o expõe Friedrich, quando diz que nem sequer votou em Hitler, que não tem inimigos e que não percebe o que está a fazer naquele cenário dantesco.

A ação do livro é apresentada como um relato levado a cabo pelo filho de Walter, tornado escritor, que recupera as memórias de guerra dos seu pai. É narrado em analepse e esbate a fronteira entre a personagem e a pessoa, pois que fica implícito que os relatos se aproximam do documental.

O livro comoveu-me profundamente. Aconteceu-me com ele o que senti quando, em viagem pela Normandia, visitei os cemitérios militares e, em sobressalto (que vergonha), percebi que também havia cemitérios alemães. Também houve alemães que perderam a vida na guerra, vidas destruídas, arrastadas para um conflito desumano, cuja razão não chegavam a perceber. É esse o trunfo do livro, em minha opinião, lembrar-nos de que, do outro lado, também houve sofrimento, que os alemães também foram vítimas dos nazis, que o mal não escolhe lados, é acrítico e tanto tortura o inimigo, como aqueles que escolhe tratar como inimigos.

A propósito do livro, deixo aqui o maravilhoso poema de Fernando Pessoa: "O menino de sua mãe"

O MENINO DA SUA MÃE

No plaino abandonado

Que a morna brisa aquece,

De balas traspassado

— Duas, de lado a lado —,

Jaz morto, e arrefece.

 

Raia-lhe a farda o sangue.

De braços estendidos,

Alvo, louro, exangue,

Fita com olhar langue

E cego os céus perdidos.

 

Tão jovem! que jovem era!

(Agora que idade tem?)

Filho único, a mãe lhe dera

Um nome e o mantivera:

«O menino da sua mãe».

 

Caiu-lhe da algibeira

A cigarreira breve.

Dera-lha a mãe. Está inteira

E boa a cigarreira.

Ele é que já não serve.

 

De outra algibeira, alada

Ponta a roçar o solo,

A brancura embainhada

De um lenço... Deu-lho a criada

Velha que o trouxe ao colo.

 

Lá longe, em casa, há a prece:

«Que volte cedo, e bem!»

(Malhas que o Império tece!)

Jaz morto, e apodrece,

O menino da sua mãe.

 

05
Fev20

#6/2020 - Augustus, John Williams

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Augustus

Editora: D. Quixote

Género: romance histórico

Páginas: 359

Para Guardar

"Todos os sucessos desvendam dificuldades que não prevíramos, e todas as vitórias ampliam a magnitude da nossa possível derrota"

"do facto aterrador de que está só, e separado, e que não pode ser mais nada a não ser a pobre coisa que é ele próprio".

"não há muro que possa ser construído para proteger o corpo humano da sua própria fraqueza"

... e podia continuar nisto até quase transcrever o livro todo tal a profundidade que ele evidencia.

John Williams é um escritor maior. Tanto este Augustus como Stoner  foram escritos num tom quase menor que nos revela duas personagens na sua humanidade mais simples, tanto o obscuro professor de uma universidade, como o senhor do mundo. Ambos homens perante si mesmos e na procura de um sentido para a sua exisência, que é sempre a questão: que fica de nós no mundo depois de desaparecermos?

Este romance tem uma arquitetura que espelha o efeito que procura alcançar. É um romance que oscila entre o memorialístico, o diarístico e o epistolar. Dessa estratégia narrativa ressalta um retrato multifacetado do homem que foi Otávio e acabou o divino Augusto. Mas a questão é mesmo essa, nenhum homem é apreendido como uno, o seu retrato tem necessariamente que ser um composto, uma amálgama, um somatório das imagens que aqueles que o amaram, que o odiaram, que o temeram, que o veneraram, que dele ouviram falar, que primeiro o amaram e que depois o odiaram foram construindo dele. E é assim este romance. Organizado em três livros, ou partes, na primeira aborda-se a ascensão de Otávio a Imperador, na segunda a consolidação do seu poder, na terceira a primeira vez que a voz de Augusto se faz ouvir, numa longa carta ao seu amigo Nicolau de Damasco, envelhecido, poucos dias antes de morrer, colocando-se questões que procuram alcançar o sentido da sua vida. Augusto está só, as pessoas que mais amou e em quem confiou estão mortas ou tiveram de ser afastadas e ja não lhe custa abandonar o mundo que ajudou  a construir.

O tom deste romance é contido, melancólico, nostálgico. A escrita é profunda, reflexiva de uma riqueza que só a sua leitura permitirá apreciar. É verdadeiramente um livro extraordinário. Gostei tanto, mas tanto deste livro. Eu que tenho lido muito do que se tem escrito sobre Roma - Quo Vadis; O Primeiro Homam de Roma (6 volumes); Claúdio; Eu, CláudioMemórias de Adriano, considero Augustos  o melhor de todos, o meu preferido - com tristeza por causa das Memórias de Adriano. 

Jonh Williams ancorou o seu romance num período histórico que conhecemos bem e no qual viveram pessoas como Horácio, Virgílio, Tito Lívio, Marco António, Cleópatra, Júlio César, Cícero e tantos outros. Destas páginas a figura de Augusto que emerge é a de um pai atencioso, um esposo respeitador, um governante que desconcerta pela sua simpliciade e bom gosto, mas e enigmático, misterioso e distante. Não sei se há verdade histórica neste recorte, sei que a personagem literária me apaixonou e me fascinou.

Vou deixar passar um tempo e depois vou reler este livro, porque ele merece vagares de estudioso.

Que experiência de leitura tão surpreendente, tão didática, tão filosofica... tão agradável, tão prazerosa. Espero que se permitam privar com este Otávio César Augusto, vão gostar de o conhecer.

 

03
Fev20

O ministério da felicidade suprema, Arundhati Roy vinte anos depois

livrosparaadiarofimdomundo

 

Wook.pt - O Ministério da Felicidade Suprema

Editora: Asa

Páginas: 464

Género: romance histórico/romance de aventuras

Arundathi Roy ganhou o meu coração com o seu primeiro livro, O Deus das Pequenas Coisas, um romance brutal sobre a Índia, sobre o preconceito, sobre dois irmãos, sobre uma família, sobre a arbitrariedade. 

Em 2018, saiu este Ministério da Felicidade Suprema, vinte anos depois da publicação do primeiro romance. Roy não publicou nenhum outro neste lapso de tempo. A expectativa acerca deste lançamento era muita, mas também havia muito receio. Quando amamos um escritor, temos sempre medo que ele nos desiluda, ou que seja aquele tipo de escritor que descobriu uma receita vencedora e que se deixa ficar nessa zona de conforto, publicando "sempre o mesmo livro", como as novelas da TVI.

Sim, sim, mas Roy não fez nada disso. Deu-nos um outro romance grandioso, que se lê obsessivamente - como eu gosto - que nos desperta a curiosidade - como eu gosto, fiquei a saber tanto sobre o terceiro género na Índia, porque este é mais um daqueles livros que me atira para pesquisas intermináveis - que nos forma e nos molda - como eu gosto, confirmei que, em alguns pontos do globo, os muçulmanos são perseguidos e massacrados - que nos desenvolve a consicência social e global - como eu gosto e, à conta disso, fui tentar perceber o que se passa afinal em Caxemira, um vale paradisíaco entalado entre três países, uma zona tampão importantíssima para o equilíbrio geoestratégico, mas cujas consequências atiram os seus habitantes de maioria muçulmano para um verdadeiro inferno.

Mas não é apenas disto que se tece este romance, é também do desenho de personagens inesquecíveis, como Anjum, dilaceradas entre a sua poesia intrínseca, a sua humanidade sublime e o preconceito, a violência, a miséria e a tragédia de se viver na Índia, onde crescem os nacionalismos exacerbados e onde a maioria hindu vai esmagando outras etnias e outros credos. O romance vive ainda do sonho e do fantástico, da conjugação de circunstâncias inesperadas, do cruzamento de vidas que pareciam afastadas anos luz umas das outras e, no fim, deixa na boca um travo doce de esperança, de superação, de encontro e de redenção, de pureza e bondade no meio do caos, da arbitrariedade e da morte.

É mais um dos livros que integro na categoria dos livros imprtantes, daqueles que nos sacodem e nos despertam.

Leiam, vão ver que doi, mas que o alívio da dor corresponde, de certa forma, a um renascimento.

 

 

02
Fev20

#5/2020 Atos Humanos, de Han Kang - ler pode ser doloroso

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Atos Humanos

Editora: Dom Quixote

Género: romance histórico

Páginas: 227

Origem: requisitado na biblioteca (que linda!)

Para guardar

"Escreva o seu livro de maneira que nunca ninguém possa voltar a profanar a memória do meu irmão" (não sei explicar, mas foi esta a frase que mais me tocou no livro, foi quando desabei)

"Gwangju tinha-se tornado outro nome para o que era isolado à força, espancado e brutalizado, para tudo o que era irremediavelmente mutilado"

Que livro!

Que escrita!

Que obra-prima!

Eis um livro que eu tinha receio de ler. Ainda que tivesse lido Peito Grande Ancas Largas de Mo Yan, que também não é nada leve. Mas a sinopse deste Atos Humanos deixou-me logo angustiada, tive medo de me confrontar com os atos de que os humano são capazes.

O livro lê-se surpreendentemente rápido, levei apenas dois serões a lê-lo, mas foi uma leitura quase obsessiva, não conseguia parar e a história - ou poderemos dizer factos narrados - não me saíam da cabeça, mesmo quando não estava a ler. É uma leitura dura, dura, que nos interprela, que nos verga, mas que tem esse poder catártico de queremos ser melhores, de ficar do lado daqueles que têm consciência, dos fracos, mas corajosos. No entanto, fui-me apequenando ao longo da leitura, teria a coragem? Sobreviveria? 

A narrativa está organizada em capítulos, enunciados por personagens diferentes, que a dado momento se encontraram a propósito do massacre ocorrido na Coreia do Sul - sim, nem só na Coreia do Norte o mal prevalece, já agora, nem só nas Coreias - no ano de 1980, na sequência dos protestos estundantis que, depois, mobilizaram a população em geral. Cada um desses relatos completa os outros e dá-nos uma visão caleidoscópica dos acontecimentos, que é também uma perspetiva temporal, visto que os capítulos se referem a momentos diferentes: durante o massacre, nos dias imediatamente a seguir ao massacre, anos após o massacre, na revisitação desses acontecimentos, na incapacidade tanto de os recordar como de os esquecer.

As imagens são simultanamente cruas, fortes, mas delicadas, tratadas com o cuidado de quem trata um copro amado que se deposita carinhosamente no seu túmulo. A escrita de Kang é extraordinária e excelente, tão autêntica que os leitores ressumam aquelas descrições, tornam-se-lhe permeáveis e vamos de mãos dadas com as personagens.  

Atos Humanos pertence àquela categoria de livros que eu julgo que é nosso dever ler, para sabermos, porque se não soubermos, porque se não lembrarmos é como se nunca tivesse acontecido, para nos precavermos contra determinados discursos, contra qualquer forma de abuso, de violência, de força e de coação. É preciso descer ao horror para aprendermos a combatê-lo. Não, o mundo não é um lugar clean, é perigoso, obscuro e violento. Fugir dessa verdade é vivermos na ignorância. É preciso persistir na esperança quanto ao género humano, mas é igualmente curucial que seja uma esperança esclarecida.

Ler este livro é um dever de cidadania, é uma memória a estas e atodas as vítimas do poder.

01
Fev20

#4/2020 - O Escritor-fantasma, de Zoran Živkovic

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - O Escritor-fantasma

Editora: Cavalo de Ferro

Páginas: 142

Género: metaliteratura

Origem: comprado 

Para guardar

"A linguagem é um excelente indício a respeito das pessoas" - verdade, verdadinha!

"Um livro permanece sempre jovem e belo e um corpo envelhece e enfraquece" - sem concordar inteiramente, visto que há livros que também envelhecem precocemente, mas, de facto, há outros que mantêm uma frescura perene.

Este pequeno livro, que se lê em dois pequenos serões, ou se for um bom serão, num só serão, permitiu-me conhecer este escritor sérvio de quem nunca tinha lido nada. E não é que gostei? Por isso, adiconei este nome aos dos escritores que quero conhecer melhor. 

A ação do romance decorre ao longo de uma manhã de trabalho de um escritor, manhã muito pouco produtiva, porque há uma série de interrupções que o impedem de escrever: a sua meticulosidade, o alerta do correio eletrónico, as exigências do seu gato, o régio Félix, a quem o Escritor se mostra quase subserviente e, claro, uma crise de criatividade, camuflada em tudo isto.

O livro deriva para uma espécie de jogo (literário) que arrasta a sua personagem ora da vaidade para a exasperação, do espanto para a indignação, conseguindo com isso desvendar o mistério da criação artística e da relação entre os mundos da História e o nosso mundo quotidiano. É um livro sobre a escrita e o processo que lhe subjaz e que nem sempre é fácil, ou óbvio, ou prazeroso, às vezes, é realmente angustiante, perturbador e penoso. Há também uma pincelada sobre a questão da receção e da escrita como forma de realização, procurada pelas figuras mais diversas. Escrever e publicar um livro é entendido como uma forma de estatuto. E nós sabemos como proliferam quase mais escritores do que leitores e, maravilha das maravilhas, até há quem escreva livros sem nunca ter lido nenhum, mas esperando e querendo ser lidos.

Não deixem de ler o artigo que vem no final do livro e que é da autoria de Michael Morrison, antigo professor de Física e de educação geral-física teória molecular e atómica. Não é que esta circunstância valorize o artigo, mas gosto sempre de saber que há cientistas que encontram na literatura motivos de interesse, curiosidade e pesquisa, o que, nos dias que correm, serve para reabilitar a literatura e a leitura como exercício artístico e não como uma estranheza de pessoas com vidas infelizes. Morrison também se dedica a escrever ensaios e recensões críticas acerca da literatura do fantástico. Neste caso, faz uma análise crítica deste romance, ajudando a desvendar os muitos níveis de leitura a que se presta, bem como as premissas de jogo que nele se entretecem.

É um livro que se pode ler como outro qualquer - e, nesse caso, até parece irritantemente simples - mas que verdadeiramente se presta ao jogo, à decifração, à análise das constantes, onde nada é inocente.

Prestem especial atenção ao gato, ao Félix, verificando como o seu estatuto de personagem se afirma ao longo do texto, sobretudo através da descrição dos seus caprichos e exigências, dos seus hábitos e dos gostos. Atentem também no desvelo do escritor por esta criatura.

Pág. 2/2

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