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Livros para adiar o fim do mundo

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

Livros para adiar o fim do mundo

28
Set20

Aurea mediocritas - escolher menos para ter mais

livrosparaadiarofimdomundo

Vem de Horácio esta máxima de vida, a aurea mediocritas,  que podemos traduzir livremente por qualquer coisa como a simplicidade dourada, que mais não é do que um convite a determo-nos a apreciar os pequenos prazeres despojados, sem glamour, sem conteúdo para as redes sociais, sem dividendos materiais, mas com um impacto espiritual, a conquista de uma sereneidade que, às vezes, vamos procurar longe, fora de casa, acreditando que o bem estar tem de ser qualquer coisa sofisticada, cara, com estatuto... Bem, para algumas pessoas pode ter, é com elas, quem sou eu para opinar.

Do que estou a falar é mesmo de uma descoberta pessoal, que me tem feito tanto bem, que tenho um bocado de receio de me acomodar de tal forma que não queira mais ver o que se passa "lá". De cada vez que penso em "ir", "estar", "fazer", "comprar" dá-me uma canseira, um tédio. Não me julguem. Vivo uma espécie de estado de saturação que me impele a ser como a lagarta, fechar-me no casulo e, quem sabe, um dia, sair borboletando.

É o prazer enorme de estar em casa, de deambular pelo meu território, de me rever nele, de cuidar deste espaço e, ao mesmo tempo, curar-me da ansiedade. Apreciar ângulos, recantos, a variação de luz pela manhã, subtil, pálida, nova. Aspirar o ar fresco do dia que acabou de nascer e sentir um tónico de vitalidade. As plantas. Sim, as plantas é que foram a descoberta destes dias. Acariciar um folha nova, de uma tonalidade mais esmeralda que as restantes, deixar a sua fragilidade correr entre os dedos e aprender outra suavidade. Passo horas na semana a cuidar, a ver só, a sentir, a dominar um vocabulário novo: luz, humidade, substrato, cor, espécies, famílias, características, adubos.  Extasiar-me quando vejo uma folha nova a brotar, sinal de que soube cuidar, que não deixei morrer, que acertei. Brincar aos deuses. Preparar a mesa do almoço de domingo, com esmero, com criatividade, jogando de forma diferente, combinando cores, reutilizando, dando nova vida a objetos que estavam esquecidos por aí. Rodear a família de beleza, de estética, procurar a cor, a combinação, a harmonia e oferecê-la como oferenda de amor. Começar a por a mesa do almoço logo depois do pequeno-almoço. Almoços com a simplicidade grega do peixe grelhado, que se prolongam até à hora que, em outros tempos, era hora do lanche. Conhecer finalmente por dentro a expressão aliviar o stress. Sem sair de casa, sentir ativadas as hormonas do bem estar, como se tivesse ido à praia. Esta sabedoria de chegar a casa e replantar, propagar, alindar, dispor e sentir a paz de quem gozou um dia de férias, mas foram apenas duas horas.

Não seiquanto tempo serei assim, não sei quanto tempo manterei esta opção, mas houve ganhos tão grandes nesta forma de viver o tempo, que me sinto quase egoísta. Não, não estou a dizer que a situação de saúde público, de custos económicos se deve manter. Não é isso, mas é certo que estes tempos brancos me levaram descobrir a soma de outras cores.

24
Set20

#31/2020 - O Mar, Jonh Banville

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - O Mar

Sextante Editora

198 páginas

Imagine-se o cenário: uma praia do sudoeste alentejano, uma manhã de nevoeiro, sem vento, a temperatura amena, a praia semideserta, uma cadeira com encosto reclinável e um livro na mão. É o paraíso na terra.

Foi neste cenário que abri e encetei a leitura do romance de John Banville e, acredite-se ou não, a página de abertura do romance atira-nos para um cenário muito semelhante. A ação passa-se num local de férias, de veraneio, há areais, o mar encrespado, cabelos molhados brincadeiras, piqueniques e uma tensão atmosférica que se vai adensando. 

"Foi no dia da estranha maré que os deuses partiram. Durante toda a manhã, sob um céu turvo e opaco, as águas da baía foram engrossando, atingindo alturas jamais vistas. As pequenas vagas insinuavam-se pela areia crestada que anos a fio apenas a chuva humedecera e lambiam a base das dunas." É esta a abertura do romance e há, em minha opinião, aqui um leitmotiv que ilumina a sua construção, toda ela ligada a um exercício de memória que, tal como a maré, engorssa, invade, alastra e submerge. O passado que inunda o presente. A rememoração como experiência renovada, mas de cariz interpretativo. De facto, Max, a personagem principal, refugia-se na pequena localidade onde costumava passar as férias quando jovem por causa da morte da sua mulher. Mas a memória, além de lhe trazer os momentos vividos com ela, um amor de toda a vida, devolve-lhe ainda um verão marcado pela iniciação ao amor, mas também à perda, ao risco, à morte.

Alguns dos livros que li ultimamente tiveram em comum o facto de abordarem a superação de uma perda que a morte originou. Este inclui-se aí. O viúvo Max, atingido por essa dor, recorda em simultâneo a alteração drástica da sua vida a partir do momento em que a Anna, sua mulher, é diagnosticada uma doença terminal e a experiência que, da mesma forma, alterou para sempre a sua existência, mas ligada à recordação de um verão marcado por uma série de descobertas, entre elas a pulsão amorosa e também a perda. E os dois momentos do seu percurso entrelaçam-se, cruzam-se, alternam-se com uma maestria que só uma autor sensível, experiente e inteligente o conseguiria: "O passado pulsa dentro de mim como um segundo coração".

Este livro de Banville é uma experiência literária extraordinária, pela forma contida como é narrado, mas conseguindo um condensação de uma certa atmosfera trágica que nos remete para a grandeza dos clássicos. A linguagem é uma dimensão importantíssima para a fruição estética desta obra, mas sem ofuscar o resto, notando-se neste narrador o comprazimento que a forma de dizer exata lhe provoca. Há essa capacidade extraordinária de nos oferecer um relato intimista e reflexivo que confere ao ritmo narrativo a desorganização do fluxo da memória e a reorganização das experiências que só assim se conseguem. Ler este livro é uma forma de viver a arte que poucas vezes nos é possível.

... o sol declina, afinal tinha conseguido romper as nuvens e brilhou impiedosamente sobre os veraneantes. A praia volta a esvaziar-se, já se retiraram as crianças e as suas risadas estridentes, o mar aquieta-se num espelho dourado. Fecha-se o livro. Regressa-se de outras paragens onde os dias de verão nunca têm esta luz de "brancuras quentes". Um suspiro solta-se. Um dia perfeito.

 

 

22
Set20

A poesia dos/nos dias

livrosparaadiarofimdomundo

Às vezes, ocorrem-me os versos de Sophia de Mello Breyner, não como citação, mas como qualidade. Explico melhor. A poesia de Sophia é luminosa, concreta, aguda como arestas, exata na escolha das palavras, que naquele lugar se tornam imagens.

Ocorre-me a impressão dessas qualidades em momentos, em instantes que me distraem da minha distração para a vida e que me forçam a olhar para a exatidão dos gestos.

A luz do sol que incide sobre os meus olhos, ainda fechados quando o dia nasce e é possível esperar por ele;

O toque macio da tijoleira encerada na pele nua dos pés;

A suavidade das folhas das plantas que acaricio enquanto ando pela casa.

O silêncio da cozinha, quebrado pela água a cair na chaleira.

O aroma do café.

O silêncio da cozinha enquanto, numa espécie de luxúria, tomo um pequeno-almoço solitário.

A água quente do banho matinal.

O momento em que finalmente desperto e me sinto presente a mim mesma.

A euforia que me domina ao aperceber-me da poesia no quotidiano.

A perfeição pode ser apenas a exatidão dos gestos que nos garantem a permanência e a continuidade. Um eterno retorno, um eterno princípio. 

Saber isto: estou aqui.

 

 

20
Set20

#30/2020 - Rua De Paris em Dia de Chuva, Isabel Rio Novo: literatura e artes plásticas

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Rua de Paris em Dia de Chuva

Editora Dom Quixote

228 páginas

Sou uma curiosa acerca da pintura, uma amadora. Interesso-me especialmente pelo Renascimento, em primeiro lugar, e depois pelo Impressionismo - talvez o movimento/período que mais me seduz - mas também o modernismo e o cubismo. Estou sempre disposta a aprender e a saber mais sobre este tema e, apesar do meu interesse de anos, continua a sentir-me ignorante a esse respeito. Por este motivo há um tipo de livros a que não resisto, aqueles cuja ação se relciona com a pintura, com a biografia dos pintores, com aspetos emblemáticos de uma escola ou de um movimento. Este ano de 2020 já me trouxe o maravilhoso O nervo óticoFala-lhes de Batalhas, de Reis e de Elefantes de que já vos falei aqui no blog, e há mais tempo o também extraordinário O paraíso do outro lado da esquina, de Vargas Llosa.

Tão longa introdução para chegar ao livro de Isabel Rio Novo, mais uma que me fez ficar verde de inveja. Rua de Paris em dia de chuva - o título é retirado do título da obra maior de Gustave Caillebote, mecenas que conheceu os nomes grandes do impressionismo, mas que foi ele mesmo um importante artista, autor  de de centenas de quadros, mas que permaneceu na sombra de outros pintores impressionistas. Mas não foi apenas pela escolha do tema que me rendi a este livro, ele é mais, muito mais do que isto que acabei de enunciar.

Comecemos pelo facto de este livro ser híbrido quanto ao género, oscila deliberadamente entre a biografia (fantasiada em alguns aspetos, verdadeira noutros), a pesquisa histórica e artística, metarromance, diário de bordo. As personagens que nele se cruzam atravessam séculos, países, espíritos, derrubando os limites físiscos quer do tempo, quer do espaço. Todas são fascinantes, ensimesmadas, reflexivas, perseguindo objetivos de vida que se tocam e se interligam, resultado do fascínio, da curiosidade, dos acasos e das coincidências que por vezes nos sobressaltam por parecerem evidências de um plano que desconhecemos.

A escrita é muito segura, interessante, surpeendente. Indaga-nos, interprela-nos e obriga-nos a refazer o esquema mental da própria leitura, levando-nos sempre a sair do livro, para, por exemplo recordarmos a visita a Giverny à casa de Monet, imaginando a partir dessa visita o ambiente onde circulou Caillebot e talvez a sua própria casa. É preciso também fechar o livro para aproveitar o facto de a capa reproduzir o quadro de Caillebot. É preciso pegar no telemóvel e fazer pesquisas na internet para percebermos de que fala a Autora quando se refere às obras de Caillebot: Lixadores de Chão, por exemplo. 

E há a referir o facto de a Autora/narradora se recusar a pertencer ao paradigma da narrativa do século XIX de que muitos escritores se fizeram herdeiros. Ela é a Autora, personagem do seu próprio romance, que nos fala do seu fascínio por Gustave Caillebot, do seu processo criativo, da sua própria indagação  a respeito deste artista. 

É uma obra fascinante, complexa, inteira, segura e um excelente momento de leitura, uma aula de história de arte, regressei pela memória às minhas aulas de Literatura e Artes plásticas. Leiam, como exercício sensorial. É um livro que vou reler, com aqueles vagares de estudo. Quando o estava a ler, estava a gostar tanto que me lembro de tentar ler devagar, para prolongar o prazer.

 

 

17
Set20

E depois de tudo... o otimismo

livrosparaadiarofimdomundo

O otismo permite-nos viver e, às vezes, é-nos oferecido mesmo quando estamos a precisar dele.

À entrada de um restaurante, quando ia a entrar, reparei que um casal se preparava para sair e afastei-me para lhe dar passagens. Eram ambos muito sábios - fica a metáfora, porque não me ocorre nenhuma outra palavra para me referir à sua idade - ela já muito frágil, ele ainda capaz de olhar por ela. Ela saiu primeiro, apoiando-se ora na porta, ora na parede, desceu o degrau da entrada com muito cuidado, aquele cuidado de quem tem muito cuidado para não cair. Era tão bonita, cabelo de neve, com o lenço à volta do pescoço, ainda cheia de galhardia. E de onde vem o otimismo? Disto, ele sempre a ampará-la, a pegar-lhe delicadamente no braço, a cuidar dela, também com medo que ela caísse. Se é possível cuidarmos uns dos outros, assim com amor até esta idade, vale a pena.

Mais tarde, uma música do Bruce Springsteen, triste como a vida, "you're missing", de uma beleza como só a arte nos pode dar, deu-me duas certezas: se um acontecimento como o 1 de setembro em Nova Iorque pode dar origem a uma canção desta beleza, então há esperança para o mundo e, segunda, tenho de sentir-me otimista, na minha vida ainda não há nenhum vazio deixado por alguém que me deixou órfã para sempre.

Sinto-me otimista.

 

17
Set20

#29/2020 - Milkman, Anna Burns

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Milkman

Editora: Porto Editora

384 páginas.

Comprado em dezembro, um dia de inverno ameno, na Bertrand do Chiado, num tempo em éramos muito felizes e não sabíamos. Queria-o muito e, no entanto, esteve longos meses em estágio cá em casa. Havia sempre outras leituras que se antecipavam e muitas delas nem valeram assim tanto a pena e este livro não merece esperar para ser lido.

Depois vieram esses curtos dias de agosto em que li desvairadamente e o Milkman de Anna Burns foi, felizmente, na voragem.

O mais marcante neste livro é o facto de não haver nomes, na verdade, não há grandes referências em que escorar a nossa leitura. E elas não são necessárias. As que existem, "a religião deles", a "nossa religião"; "o país deles", "o nosso país", entre outras, permitem-nos situar-nos talvez numa Irlanda fraturada pelos conflitos civis e religiosos. O facto de nem os lugares nem as pessoas terem nomes torna a ambiência do livro mais abstrata, mas também mais universal e é essa universalidade conseguida que faz desta leitura simultanemente localizada e datada, mas também atemporal, quase uma distopia.

Essa feição distópica faz deste romance de Anna Burns um relato profundamente atual, não há como não estabelecer um paraleo com a forma como as versões a preto e branco da realidade nos vão sendo impostos, como todas as discussões são extremadas e radicalizadas, como o não estares de acordo comigo significa que tens de ser conotado com determinada fação, ou partido, ou visão, ou sim, ou não. Quando a realidade é caleidoscópica, complexa, caótica. Quando as coisas mudam a um ritmo alucinante, quando as verdades são desmentidas pelos factos quase de minuto a minuto, quando as certezas são abaladas. Há depois a denúncia do impacto e da força que as "versões" das histórias têm sobre as vidas das pessoas, condenando-as a um silêncio, porque uma versão estabelecida não pode nunca ser desmentida e o mal causado nunca mais pode ser reparado e... ninguém se importa com isso.

Outro aspeto singular neste livro, que não é propriamente único, mas resulta muito bem, é o facto de a narrativa estar filtrada pelo longo discurso/fluxo de consciência da jovem que a protagoniza, o que o torna mais ingénuo, porque há um véu de incompreensão comum a quem se encontra no centro dos acontecimentos, mas que torna mais óbvia para o leitor a crueldade que se abate sobre a personagem e que só com o recurso a esta estratégia narrativa emerge do relato como neblina sobre a superfície da água.

É uma leitura desafiante - não digo difícil para não afastar ninguém deste obra: genial, única, crua e importante, muito importante.

 

13
Set20

#28/2020 - Não se pode morar nos olhos de um gato, Ana Margarida Carvalho

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Não se Pode Morar nos Olhos de Um Gato

Editora Teorema

Páginas: 342

Regresso às lides da escrita, depois da silly season, que para mim teve pouco de silly e pouco de sason - só me posso gabar de nove dias de férias, cinco deles passados a limpar desenfreadamente uma casa em estado de cataclismo pós-obras, mas li. Li muito, li desvairadamente, li compulsivamente, li como há muito tempo não lia e percebi porque é que gosto de ler. Não há, para mim, outra forma de evasão e todos sabemos como precisamos de nos evadir nos tempos que correm.

Vai daí, regresso aqui anarquicamente, não pela ordem de leitura, mas pela ordem da marca deixada. Eu invejo alguns escritores. Invejo, invejo! É o caso da Ana Margarida Carvalho e deste excelente, excelente "Não se pode morar nos olhos de um gato". Não sou crítica literária, sou amadora - no sentido literal - o fazer é resultado do gostar. Porque é que este livro me parece excelente? A 

1. A autora arrisca em algum experimentalismo na linguagem, sem o levar ao expoente máximo, sem com isso perturbar o nosso ritmo de leitura. São maneiras de driblar a língua, dando-nos a saborarear o seu virtuosismo, mas sem fazer disso uma camuflagem ou um gongorismo que nos afaste do livro, maçados com tanta forma em detrimento do conteúdo. Nada disso, é uma técnica que se plasma bem na narrativa e mais, que lá faz todo o sentido, como as quedas dos pássaros tantas vezes enunciadas.

2. A força da história. 2020 tem sido um ano muito feliz em livros. Este foi daqueles que me obcecaram, no trabalho pensave nele, ansiosa por me ver a sós com estas personagens, tão fortes, tão no limite, tão testadas, tão falhas de heroísmo, às vezes repugnantes, mas no seu imperfeito humanisto, absolutamente inesquecíveis. Este ano, no verão, almocei sozinha muitas vezes, levava sempre um livro e, no caso deste, aborrecia-me mesmo ter de interromper a leitura para regressar à vil tarefa de trabalhar para viver.

3. As técnicas narrativas. O narrador a quem foi entregue a contagem desta história não é um narrador cronológico, certinho, seguro de que um romance, uma história de fôlego, não tem necessariamente de ser contada do princípio ao fim. A história tem um fio condutor: acompanha os dissabores de sete náufragos que vão dar a uma praia minúscula, que desaparece com a maré cheia e que têm de sobreviver a todo um conjunto de privações: fome, sede, sol inclemente. No entanto, o maior desafio de todos é coabitar num espaço tão exíguo e tão privado de conforto e de condições de sobrevivência com a profunda estratificação socila de finais do século XIX. Afinal os sobreviventes são: um escravo, que vajava no tumbeiro, o capataz do navio negreiro, um criado anónimo, perito em não se fazer notar, uma mulher e a sua filha, um estudante e um bebé negro que o criado salva dos braços da mãe moribunda que lho passa aos braços numa tentativa de o poupar ao terrível destino. Só isto bastaria para despertar o interesse. Mas estes "Robinsons Crusoe" trazem consigo uma biografia, cada uma mais surpreendente que a outra  e o narrador apresenta-no-la paulatinamente, à exceção de uma das personagens que não vou revelar qual. Há ainda uma santa, a quem também é dada voz, surpreendente também na sua exaustão e não consciência da inutilidade das preces que lhe são dirigidas.

4. O título: Não se pode morar nos olhos de um gato é um título criativo e que, terminada a leitura, conhecidos os malogros das personagens, os seus remorsos, as suas tragédias, a sua imperfeição, faz todo o sentido.

Recomendo vivamente sobretudo por ser um livro excelente de criação portuguesa. Neste caso, o nacional não é bom, é mesmo muito bom.

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