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Livros para adiar o fim do mundo

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

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Livros para adiar o fim do mundo

04
Fev21

As palavras que sempre (te) direi

livrosparaadiarofimdomundo

Eu gosto de palavras.

Gosto de ouvir falar bem. É confrangedor ver e ouvir as pessoas que não desenvolveram essa competência. Basta pensar no nosso Primeiro Ministro. Se a falar como ele fala já ganha as eleições, imaginem se ele tivesse um discurso fluido, líquido, diria eu.

Todos nós conhecemos uma - era bom era - uma pessoa pelo menos que só conhece o verbo "fazer", ignorando conceber, planear, discorrer, elaborar, proceder, apresentar, requisitar, requerer, reproduzir, ou o substantivo "coisa", nunca utlizando objeto, pintura, quadro, documento, partitura, medida, ou o adjetivo "triste", desconhecendo que se pode estar melancólico, desalentado, desanimado, nostálgico, angustiado, inquieto, assombrado, ensimesmado, introspetivo, asténico, ou o adjetivo alegre, quando se pode muito bem estar eufórico, entusiasmado, sonhador, feliz, radiante, álacre, animoso.

Havia um manual, mais um caderno de exercícios, aqui há uns anos que tinha um exercício de que eu gostava muito - os alunos não, mas são pormenores - consistia em classificar as palavras em função da sensação que ela despertavam: se picavam, se eram doces, se faziam sonhar, qualquer coisa deste género. A minha relação com as palavras é assim. Eu coleciono palavras, combino-as, listo-as, investigo-as, tenho verdadeiro fascínio pela etimologia.Gosto delas independentemente do seu campo lexical.

Adoro a palavra meretriz, é a mesma coisa que a outra de quatro letras, mas tem outra classe.

Gentileza, não está mesmo a dizer o que é? É das palavras mais bonitas que há, porque inspira mesmo o sentimento.

Bonito, é tão fresca esta palavra.

Lhaneza não há melhor forma de dizer da simplicidade.

Bergamota é a mais perfumada.

Onírico é a mais sonhadora.

Caleidoscópica é a mais multifacetada

Alcaçuz é a mais doce

Gizar é a mais desenhada

Promontório é a que causa mais vertigens

Vórtice é a mais agitada

Disforia é a desconfortável

Catre é a mais pobre

Utopia é a mais esperançosa

Emulação é a mais imitadora

Vagido é a mais frágil

Breu é a mais escura

Tártaro é a mais profunda

Côvado é a mais medida

Podia ficar nisto um ror de tempo, mas corro o risco de me tornar desenxabida.

É isto, se para Bernardo Soares a língua era a pátria, para mim as palavras são os meus penates.

Podia ter-me dado para pior, mas a minha loucura é mansa.

 

 

 

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