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Livros para adiar o fim do mundo

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

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16
Nov20

Às vezes também vejo séries: O Método Kominsky

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É verdade, às vezes também vejo séries. Às vezes... é muitas vezes, só que ainda não me tinha ocorrido falar sobre elas. Tenho um problema com séries que, de certeza, ajudará a diganosticar um comportamento obsessivo compulsivo: quando começo a ver uma (que me agrade), não consigo parar e lá vão as temporadas todas que puder ser, enquanto um cantinho do meu cérebro me lembra que o dia seguinte é de trabalho, mas não dá, não dá, tenho de chegar ao fim. Depois consolo-me ainda bem que as séries não são pacotes de bolachas. Antes olheiras que peso a mais. Isso é que não.

Felizmente, para mim e para as pessoas que têm de lidar comigo, sou muito exigente com as séries e tem de haver qualquer coisa que justifique a eutanásia do meu tempo, que não é assim tanto. 

Acontece que comecei a ver este Método Kominsky, uma série original da Netflix e... bastou o primeiro episódio. Protagonizada por esse senhor do cinema, Michael Douglas, a fazer de si mesmo (ou quase) um ator que, como todos nós, não escapou ao esmerilar do tempo. Envelhecido, com problemas de próstata, sem ter a certeza de conseguir ainda um desempenho sexual satisfatório, cobarde para a crueza da vida e... encantador neste papel disfórico, autêntico e humano. Não sei se é esse o traço que procuro em todas as obras de arte: a essência da humanidade, superada/sublimada por fugas que nos resgatem, mas a humanidade e o humanismo têm de estar lá, o "bicho da terra tão pequeno", que, às vezes, é mais do que promete essa humanidade. Entretanto, o que faz o nosso protagonista? Dá aulas de representação - ah Manuela, o ensino está-te no sangue - recorrendo, pois claro, ao seu método, que dá o título à série e esse é um ponto de partida para boas cenas, mas muito longe de ser o único.

Para além do desempenho desassombrado e assombrador dos atores - o elenco é facilmente reconhecido e ninguém envergonha ninguém (desculpem, mas é maçador estar aqui a dizer quem e quem fez o quê, deixem-se ir como alguém que eu conheço que, ao ver algum ator familiar, exclama sempre "olha quem é ela/ele!". Vejam a série para reencontrarem velhos "amigos"), o que me fez render desde logo foi mesmo a qualidade do guião. Quem escreveu a série - não faço a mínima ideia, porque não fui ver e hoje estou em modo impressivo - escreve bem, tem muuuuuuuuuuiiiiiito sentido de humor, daquele mais negro, que é o que eu gosto, e domina a arte do sarcasmo - outro recurso que me convence e que não está ao alcance de qualquer um. Não está não. E, nestes tempos de "virgens ofendidas", ironia sarcástica, corrosiva, fora do politicamente correto é uma lufada de ar fresco.

De modos que estou a poupar episódios, como um alcoólico perante a última garrafa, um bocadinho de cada vez, para durar e estou a adorar. É isto, hoje lembrei-me de recomendar esta série, é uma pena se as pessoas inteligentes, capazes de reconhecer a inteligência, não a virem. Além disso, uma série é uma forma de leitura: alguém está a ler um guião para nós, na sociedade vitoriana era uma ocupação muito requisitada.

Não recuse um método que, à partida, não conhece, já dizia um dos oráculos da praça.

2 comentários

  • Percebo exatamente o que me diz. A casa de papel, em minha opinião, é péssima! Tão pouco convincente que até me doeu.
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