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Livros para adiar o fim do mundo

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

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Livros para adiar o fim do mundo

08
Nov20

Eu também segui as eleições americanas

livrosparaadiarofimdomundo

Não sei falar de política, nem tenho raiva de quem sabe, nem mesmo de quem finge que sabe, mas a verdade é que também eu acompanhei essa minissérie que foi a contagem dos votos para a eleição do presidente americano.

Recuemos um pouco. Há quatro anos, não acompanhei com tanto interesse a primeira temporada. Vivi a coisa mais desinteressadamente, convencida que a Hillary Clinton ganharia as eleições, talvez um bocadinho enjoada, porque a presidência da América não deveria ser uma espécie de monarquia, ou oligarquia. Por esse motivo, no dia seguinte de manhã, saída do cabeleireiro, ficquei em choque quando tomei conhecimento de que Trump tinha sido eleito. Confesso a minha ingenuidade, eu acreditava mesmo que as pessoas não levariam a sério este candidato. Não era possível. De maneiras que lá fui seguindo os primeiros discursos e a minha perplexidade manteve-se ao longo de quatro anos. Temos tanto para recordar. Nunca mais dissemos huge da mesma forma, huge tronou-se um trumpismo. Make America Great Again tornou-se um leitmotiv que pudemos usar a propósito de tudo e de nada. Todos conhecemos o penteado de Trump e o olhar semicerrado de Melania, aquela olhar de quem nos atira um "I really don't care", como só uma primeira-dama consegue fazer e só por usar um casaquinho. O Twitter passou a ser seguido com muito mais interesse, porque as pérolas eram quase diárias. Por fim, mesmo a pandemia assumiu uma faceta inusitada pela abordagem que Trump dela fez. E depois os seguidores que o homem tem e ganhou, um verdadeiro influencer, é ver os Bolsonaros da nossa vida, os Venturas ali tão perto. Por fim, os discursos de ódio, de fratura, de supremacia também puderem sair da gaveta, sacudidos da poeira e, finalmente, chegar à luz do dia. Não, não me venham com a economia, parece o argumento para o saudosismo do Salazar, "era assim e assado, mas tínhamos os cofre cheios de ouro". E para que é que servem cofres cheios de ouro se a maioria da população vivia mergulhada na pobreza e na ignorância, orgulhosamente esquecidos?

A eleição de Biden não me entusiasma por aí além. Todos nós, todos talvez não, as a maioria de nós, vem calejando um certo ceticismo acerca de tudo. Afinal os jogos de poder são a verdadeira profissão mais velha do mundo, tenho a certeza que a outra que costuma receber este epíteto é apenas uma sucursal e estaria por certo, nos primórdios, ao serviço da primeira. Tenho a certeza de que a razão de Biden se ter candidatado está longe de ser apenas humanista ou uma questão de messianismo. É um sacrifício que qualquer um está disposto a fazer, porque compensa, vá, a verdade é que compensa. Ainda assim, o facto de ser a terceira vez que se candidata e de ter vencido, a sua vasta experiência de vida e na política, faz de Biden um senador e tudo o que viveu não poderá deixar de ser um trunfo. Já Kamala Harris é toda uma promessa que aguardamos para ver cumprida. 

Apesar de todo esse cinismo com que observamos estes Games of throne, há a diferença nas palavras: união, nós, sarar, todos, justiça, igualdade, arco da moral... Hoje, para mim, basta isto, outras palavras, outra semântica, outro discurso. A governação de Trump levou-nos a acreditar nisto, pelos menos, as palavras têm poder gerardor. Portanto, palavras diferentes hão de gerar um cenário diferente, apaziguado, mais tolerante, mais compassivo, tendencialmente mais justo.

Afinal, até para este ano horribilis  pode ser que ainda haja esperança, foi o ano em que Trump não foi reeleito.

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