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Livros para adiar o fim do mundo

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

Um cantinho para "falar" de livros, para trocar ideias, para descobrir o próximo livro a ler.

Livros para adiar o fim do mundo

20
Jan21

As migalhas são de graça

livrosparaadiarofimdomundo

Estávamos nós ali atrás a ansiar pela passagem de ano, acreditando mesmo, mesmo que doze badaladas seriam com uma rajada de metralhdora sobre tudo aquilo que nos custou no ano mais longo de que muitos de nós têm memória. Afinal quem vivia mal, passou a viver pior, qum vivia bem, passou a viver pior - é reconfortante acreditar que foi assim - quem vivia muito bem, pelo menos não pôde sair de casa. 

E vem 2021 e entrou a pés juntos, esse bruto: morreram Carlos do Carmo e João Cutileiro, tivemos uma vaga de frio que nos ia congelando a alma, os americanos estão mesmo doidos e os mais doidos invadiram o Capitólio e agora os americanos têm de se proteger dos americanos God doesn´t save America, o estupor do vírus não nos largou e ficou ainda mais virulento, morreram em Portugal nos primeiros vinte dias do ano mais de dois milhares de pessoas só por causa desta pandemia que está cada vez mais pandémica, voltamos todos a confinar, está tudo fechado outra vez - estou a exagerar, eu sei - fala-se de novo no encerramento das escolas e a minha alma fica mais gelada do que ficou por causa da vaga do frio, temos medo, muito medo - estou a exagerar, eu sei, há gente que não tem medo nem vergonha, nem noção, nem senso de noção, mas não posso ir por aí, senão ninguém me segura e eu sou uma senhora - temos pouco orgulho do nosso país, fianlmente percebemos a importãncia do SNS e porque é que alguns setores da sociedade não podem ser privatizados. É difícil, até para uma otimista patológica como eu sou, manter-nos positivos. Ups, agora é mau estar positivo. Rephrasing: é difícil mantermo-nos, chega assim.

Ficam as migalhas: os almoços na sala de professores, com toda a gente a comer de caixinhas, mas com um clima muito simpático, a conversar animadamente, a rir, meu Deus, a rir; a manutenção, a prazo, das aulas presenciais, até gostamos mais dos alunos na quase-hora da despedida; o fim de semana com sol, que deu para ler no alpendre, para cuidar das plantas de exterior e que despertou o desjo de ir ao horto comprar amores-perfeitos e toda a qualidade de plantas que floresçam na primavera - mas não fui, que eu sou cumpridora e faço tudo para manter as escolas a funcionar, faço a minha parte e nem sei se chega; as visitas muito esgarçadas à mãe e ao pai; as refeições em família, a quatro, animadas; a sala de aula com os meus meninos que me recebem sempre com ânimo, doces como alguns conseguem ser; a senhora da banca da fruta, tão humilde (no bom sentido), tão amável, tão atenciosa, que corre a abrir outro saco de cebolas, que pede desculpa por não ter mais coisas de encher o olho; os que dizem que gostam de nós, os que dão a palavra amável, os que são solidários; as anedotas para antologia, como aquele aluno que, tendo faltado por uns dias, quando questionado sobre o motivo da ausência, mentiu, dizendo que tinha sido operado ao apêndice e, ao ver que a professora lhe pedia para ver a costura, disse, na sua ingenuidade (ou não) que se tinha esquecido dela em casa.

São migalhas de um quotidino de chumbo, mas podemos fazer como nos diz o aforismo da pedra, não um castelo, mas podemos amassá-las e fazer um pão e comê-lo com a gana de que nos fala Álvaro de Campos: comê-lo sem tempo de manteiga nos dentes. São migalhas, mas pelo menos são de graça.

03
Jan21

#2/2021 - A Guitarra Azul, John Banville: da memória como tema literário

livrosparaadiarofimdomundo

Porto Editora

239 páginas

Leitura terminada

Este romance andou por aqui sem estar terminado cerca de dois meses. Ia tão bem e, de repente, pu-lo de parte. A razão por que ponho um livro de parte pode ser tão ridícula como querer ler e não me apatecer subir as escadas para ir buscar  o livro que estou a ler e começo a ler outro, coisas assim. Faltava muito pouco para o terminar, não encontro explicação.

John Banville foi dos poucos escritores de quem li mais de um livro em 2020 (2021...?). Gostei tanto de O Mar, que comprei este A Guitarra Azul. Narrado na primeira pessoa, acompanha o fluxo da memória de Oliver Orne, desde o momento em que foge de casa, devido ao facto de ver descoberta a relação extraconjugal que mantém com a mulher do seu melhor amigo. Desiludam-se, o livro é muito mais do que a descrição deste triângulo amoroso, é sobretudo uma viagem ao centro de si mesmo, crua, despudorada, sem filtros, como já contecia no romance anterior. O narrador/protagonista abre o romance refeindo-se à sua cleptomia, o desejo de possuir coisas dos outros, apropriando-se delas de maneira subtil e dissimuladamente. Polly, a sua amante, surge como mais uma posse que se lhe impõe a partir de um jantar em que Oliver fica quase obcecado por ela.

Partindo deste motivo, Olly revisita a sua infância, a relação quer com o pai quer com mãe, mas também com a irmã, com a sua arte - é pintor - e com o bloqueio que o domina no presente, o seu casamento com Glória, o impacto que a morte da sua filha teve sobre ambos, entre outros episódios que, longe de o caracterizarem, mais esborratam as tintas e mais diluídas parecem as linhas.

Outro aspecto interessante,  e que eu valorizo sempre muito nas minhas leituras, é o constante reenvio para objetos estéticos exteriores ao próprio livro: obras de pintores famosos, poemas, livros, que continuamente espelham o momento ou o episodio abordado no livro. A memória nas suas diferentes aceções é tambem um tópico literário que me desperta muito interesse e, neste romance, cruzam-se várias memórias. Também a força da linguagem, a mestria no domínio das palavras, medidas e pesadas para ocuparem o seu lugar na frase - aspeto reconhecido em muitas das críticas sobre este livro - é notória. Aplica-se a estas páginas a metáfora da filigrana: delicados fios que são soldados uns aos outros para formar um objeto muito maior, um padrão, é isso que acontece neste livro.

A guitarra azul  foi mais uma experiência de verdadeira literatura, um objeto estético exigente. 

PS. Há também no livro uma ambiência tipicamente irlandesa: do chá, do frio, da chuva, das relações sociais, de que também gosto muito, talvez por causa das minhas memórias das leituras de Enid Blyton.

02
Jan21

#1/2021 - Torto Arado, Itamar Vieira Júnior: mirar o passado para não perceber o presente

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - Torto Arado

Editora Leya

279 páginas

Comprado

Esta primeira leitura de 2021 é devedora de 2020, porque a verdade é comecei ainda em 2020, mas terminei, numa tarde bem passada do dia 1, já a estrear o novo ano literário. Quem leu as minhas resoluções para 2021 perceberá que já cumpri uma nano parte: terminei um livro que estava começado em casa (sou tão ardilosa nestes esquemas mentais). Sabe-me sempre a um regresso a casa ler literatura brasileira, a pátria da minha especialização em Estudos Românicos, mas é sempre um regresso sofrido, porque o povo brsileiro parece votado a um desígnio de sofrimento e privações que nada parece poder por fim, nem a política nacional, nem a internacional, nem a cultura, nem os homens de boa vontade.

A biografia deste livro é já ilustre, começou por ser o vencedor do prémio Leya, foi depois galardoado com o prémio Jabuti e com o prémio Oceanos. Assim sendo, é uma aposta segura, não pode andar tanta gente enganada.

Torto Arado é marcado pela ambivalência: é uma leitura aparentemente fluida - não leve, mas fluida - mas que pesa na alma, se a alma for sensível e humanista, não podendo ficar alheia ao sofrimento do outro; é uma obra que remonta ao passado do Brasil, num período em que a escravatura já tinha sido abolida, mas que persistiu sob outras formas de subjugação, que está na génese dos movimentos dos Sem Terra, que nos é devidamente explicado nas suas raízes históricas, sociais e culturais, porém aponta para o presente e para as muitas fraturas e assimetrias que estão longe de ser sanadas - daí o título do post; a ação decorre no Estado da Bahia, numa fazenda que beneficia dos terrenos férteis irrigados pelas águas fartas de dois grandes rios, mas é centrada nas pequenas roças e aglomerados que foram nascendo do trabalho árduo das mulheres enquanto os homens trabalhavam para o senhor da fazenda; é uma obra protagonizada pelas mulheres, cuja submissão e subjugação é igualmente ambivalente, mas não deixa de equacionar a dureza, a miséria e a insegurança que atormentam igualmente os homens; é no Brasil, mas já foi ou continua a ser em qualquer ponto do globo, já que "sobre a terra há de viver sempre o mais forte" - é preciso descobrir quem o é efetivamente, daí a sua universalidade.

A narrativa conjuga os pontos de vista de duas irmãs sobre a sua história comum: Bibiana e Belonísia, flhas de Zeca Chapéu Grande, o curador do terreiro que dá corpo aos encantados que estruturam a vida espiritual da comunidade da fazenda, negros que se dizem índios para não serem expulsos das terras. As irmãs ficarão unidas por um laço ditado por um acidente de infância, mas também se desunem e voltam a unir por causa de pequenos episódios, mágicos, oníricos, encantados, quotidianos, simples, que ditam as suas/nossas escolhas e caminhos. Todas as personagens partilham uma cosmovisão mágica, generosa, idílica, submissa, mas inocentes dessa submissão, acreditando que o facto de o senhor permitir que tenham a sua roça é motivo de gratidão e desígnio para a sua froma de vida, nem sequer percebendo a sua própria indigência nem a verdade das suas prorrogativas.

Torto Arado ilustra bem o cadinho cultural que é o Brasil, uma herança que não pode ser negada, esquecida, obliterada, justamente porque nos ajuda a perceber algumas das fragilidades do presente deste país, mas também do mundo. O brasileiro tem, desde a origem e mercê das suas raízes índias e africanas, um pensamento mágico, crê nele e orienta-se pelos seus ditames e isso não foi ainda expurgado dos tempos que se vivem no Brasil. Além disso, desafortunadamente, as condições de vida de muitos dos seus habitantes não mudaram tanto assim, as vagas de imigrantes que chegam a Portugal à procura de um lugar de ser são a herança de um povo em êxodo à procura de uma terra prometida, chame-se ela Àgua Negra, Lisboa, ou outra coisa qualquer.

Como os livros dialogam, recomendo, a propósito deste, a leitura de dois outros que se contam entre os livros da minha vida: 

Wook.pt - A Guerra do Fim do Mundo      Wook.pt - Grande Sertão: Veredas

Este tríptico ajuda-nos a compreender e a conhecer o Brasil.

E no fim de tudo... os bons livros!

 

 

 

29
Dez20

#46/2020 - O velho que lia romances de amor, Luís Sepúlveda: o post mais sustentável do ano

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - O velho que lia romances de amor

Editora Asa

110 páginas

Porque é que este post é o mais sustentável do ano? Porque foi um livro emprestado por uma querida amiga, que o comprou em segunda mão - o livro até traz uma dedicatória: "À minha querida vovó, com votos de muitas felicidades. Beijinhos. Paulinha. 24-7-99", não é maravilhoso? - e, por último, é uma releitura. Entretanto, o exemplar que eu tinha perdeu-se nas malhas que os empréstimos tecem, o que me faz acreditar que também se trata de um reaproveitamento. Se isto não é reutilização e consequente sustentabilidade, não sei o que seja. Espero que a Greta Thunberg esteja a ler este post e redima toda uma geração. Mas, não deixa de ser interessante traçar estas biografias dos livros. Não sei se um ficheiro PDF ou um e-book conseguiria a mesma proeza, estou só aqui a questionar-me.

Este deve ser o livro mais conhecido de Luís Sepúveda, esse saudoso escritor que o traiçoeiro 2020 e o sua melhor amiga, a COVID-19,  nos levaram. Já não consigo precisar quando o li, mas foi há muitos, muitos anos. Lembrava-me muito bem que havia uma onça, não me lembrava tão bem como é que Sepúlveda, antes da Greta, já nos alertava para a exploração desenfreada da natureza e do nosso planeta. Depois, no Brasil, esse país que suponho maravilhoso, exuberante, nada parece mudar e o assalto aos recursos continua a fazer-se desenfreadamente, bem como o encurralamento das poucas tribos índias que vão sobrevivendo a estes desmandos.

Efetivamente, a ação desencadeia-se quando um idiota mata os filhotes da onça e fere o seu macho. Há toda uma alegoria à volta disso. No confronto entre o velho e a astuta onça temos duas faces de um mundo autêntico e equilibrado que agoniza. Homens e animais deixaram de coexistir em harmonia, num mundo em que a exploração dos recursos obedecia ao conhecimento desse necessário equilíbrio e não em função de uma ganância descontrolada. Ficaram-me desta vez perfeitamente marcados os últimos momentos do livro, aqueles em que o velho e a onça representam o último ato. O final do livro é tão bonito, tanto a onça como o velho são de uma dignidade a que muitos de nós aspiram e, além disso, os romances de amor, os livros, as palavras bonitas surgem como forma de sublimação da barbárie que cerca a Amazónia.

Creio, desde há muito, que os livros são partes de uma conversa universal que se mantém através dos séculos, daí que uns nos façam pensar noutros, sobretudo quando se debruçam sobre a própria universalidade, a humanidade, aquilo que procuramos - provavelmente desde o momento em que nos tornámos sapiens. Este O velho que lia romances de amor não pôde deixar de me remeter para O velho e o mar, de Hemingway. O homem e a natureza, o engenho contra a força primordial que habita o nosso planeta e que é encessário preservar, estimar, admirar e, já agora respeitar. 

E pronto, não podia haver mesmo um post mais eco-sustentável do que este. Recomendo também o documentário de David Attenborough, já que cavalgámos esta onda. Mas primeiro leiam este livrinho, que se conta entre os pequenos prazeres, mais um bombom de Natal.

28
Dez20

O melhor de 2020: os livros de que mais gostei e outras coisas

livrosparaadiarofimdomundo

2020 foi um ano de uma excelente colheita de livros. Destaco, entre muitas excelentes experiências, aquelas que foram mais marcantes, não querendo dizer que as que não menciono não tenham sido igualmente de qualidade (modéstia à parte - que a modéstia em excesso é outra forma de vaidade - considero-me uma leitora experiente, seletiva e exigente. A verdade é que raramente leio os livros dos destaques, ou muito comerciais, por outro lado, as minhas leituras são também ecléticas ou, como costumo defini-las, "vadias). Então recomendo para projeto de leitura, sem ordem, nem hierarquia, que isso já era demais:

      Não Se Pode Morar Nos Olhos De Um Gato  

 

    Augustus     Regina no Campo: A Educação de uma Fada

É uma escolha tão aleatória que nem devia valer, mas são títulos incontornáveis para mim.

Mas houve outras coisas interessantes:

Os meses em que li mais foram: janeiro, fevereiro, maio, agosto, novembro e dezembro.

Houve um mês em que não li um único livro: julho e sei bem porquê - o trabalho e se o trabalho me impediu de ler foi mesmo um mês mau.

Escritores de que li mais de um livro: John Williams; Han Kang, Fredrik Backman e Leo Tolstói.

Escritores de que me proponho ler mais livros: Han Kang, Mathias Énard, Lucia Berlim, Isabel Rio Novo, Maria Gaínza e John Williams - eu sei, este último é um desejo impossível, porque já li os três romances que escreveu, mas nunca se sabe...

A maior deceção: Mulheres que compram Flores 

Temas e assuntos que mais me interpelaram: abusos sexuais na infância 

Mais divertidos: Britt-Marie Esteve aqui, Fredrik Backman, por causa deste, li outro, mas não foi a mesma coisa

Onde buscar inspiração para ler: amigos leitores e o blog Horas Extraordinárias, mas os amigos leitores são absolutamente fantásticos, eles leram, eles emprestam, eles entusiasmam-se, não há nada melhor que essa experiência.

Recomendações: ler sempre, como digo aos meus alunos, nem que seja os rótulos dos detergentes. Ler é sempre o melhor remédio, bem ter dinheiro também, mas como não tenho dinheiro, fico-me pelos livros e as bibliotecas são gratuitas.

PS: não resisto, li excelentes livros, mas Fala-lhes de Batalhas, de reis e de elefantes  e o Augustus são capazes de serem os meus um bocadinho, só um bocadinho, preferidos. 

2021, vamos ver se és capaz de fazer melhor do que isto! It's a challeng.

27
Dez20

2020 em livros e leituras - um balancete.

livrosparaadiarofimdomundo

Fui ali atrás reler o que escrevi como desafios para 2020. Desafiei-me a 

#1 - comprar livros ao ritmo que os leio (consegui escrever isto sem me rir!)

Não posso dizer que tenha conseguido um sucesso por aí além, mas a pilha de livros comprados e (ainda) não lidos é bastante menor do que nos anos anteriores. Dela constam:

Wook.pt - Rabos de Lagartixa  Wook.pt - Uma Caneca de Tinta Irlandesa  Wook.pt - Lincoln no Bardo

A esta teremos de acrescentar aqueles que comprei, cuja leitura iniciei e, sem qualquer razão, ficaram a estagiar por aí, e os (ainda) abandonados são:

Wook.pt - A Guitarra Azul  Wook.pt - O Elefante Evapora-se 

E Aqueles cuja compra é tão recente que não se pode considerar um incumprimento

Wook.pt - O Barulho das Coisas ao Cair  Wook.pt - A Odisseia de Baldassare

Um que requisitei na Biblioteca, comecei, mas ainda não terminei

Wook.pt - Memórias de um Gato Viajante

Um emprestado, que aguarda a minha atenção

Wook.pt - Queria Ter Alguém à Minha Espera Num Sítio Qualquer

Quando comecei, parecia-me menos... mas há anos em que isto é muito pior. Assim sendo, parece-me que já tenho projeto de leitura para janeiro de 2021.

#2 - requisitar mais livros na biblioteca.

Consegui, sim senhor, daqui de onde estou, parece-me que foram pelo menos três. (Consegui dizer isto sem me rir.)

A Vegetariana  Atos Humanos  Wook.pt - Crónica de um Vendedor de Sangue

#3 - pedir livros emprestados.

Aqui é que se deu uma verdadeira revolução, li quinze livros emprestados. Estou uma leitora mais sustentável, menos compulsiva e a troca de sugestões de eleituras é sempre uma oportunidade de conhecer autores diferentes, livros que, possivelmente, nos passariam ao lado. Não me arrependo em nada desta decisão. Alguém tem um livrinho para me emprestar?

#4 - trocar livros (parece-me muito boa ideia, porque eu sou muito possessiva com os livros, mas há alguns que não faço questão de manter, uma pessoa não acerta sempre e há sempre uma opinião doferente da nossa - aproveito já para trocar O tempo entre costuras - alguém interessado?)

Não fiz, de todo.

#5 - ler 52 livros este ano, um por semana. Mas não vou parar se conseguir ler mais.

Não consegui, mas houve semanas em que li bem mais do que um livro, portanto devo ter pontos pela participação, além de ter acertado em metade do enunciado.

#6 - substituir a resolução 5 por um valor em páginas, se ler 52 livros com 100 páginas, terei lido menos se definir os objetivos por páginas. Vou pensar num valor... hummm, talvez 20 páginas por dia, o que daria cerca 7300 páginas. 

#7 - ler 8000 páginas em 2020.

Li, mais coisa menos coisa, 12 271 páginas, e ainda não contabilizei os livros que não terminei, nem aqueles sobre os quais ainda não escrevi no blog, nem o que estou a ler neste momento. Estou aqui a dar-me palmadinhas nos ombros.

#8 - ver mais filmes.

Nem sei o que fiz... não foram mais do que em 2019, de certeza.

#9 - viajar mais... se o puder fazer sem por em causa o sustento da família. Vou ali dizer aos meus filhos que afinal o ensino superior não é assim tão importante.

Rir para não chorar, rir para não chorar, rir para não chorar, rir para não chorar...

#10 - procurar ser uma versão melhor de mim mesma - a única resolução que levo mesmo a sério - isso implica ser melhor com os outros, melhor comigo mesma, cuidar de mim, ler mais, aprender mais, ouvir mais, falar menos, ser mais tolerante, ser mais proativa, ser mais interventiva socialmente, preocupar-me mais, responsabilizar-me mais. Pronto, fazer mais exercício físico.  Emagrecer, emagrecer, emagrecer. Parece-me que o ano 2020 não vai ser fácil.

As coisas em que eu me meto. Sei lá se fui uma versão melhor de mim mesma! Tentei, juro que tentei. Fiz mais exercício, parece-me que devo ter feito aí umas dez caminhadas. Não emagreci, mas recuso-me contar se engordei. 

Pronto, 2020 não foi fácil!

Siga-me para mais balanços pouco sérios. Amanhã - oh terror de qualquer escritor - publicarei a lista dos melhores livros de 2020 - para mim, pois claro!, bem como outras estatístcas absolutamento inúteis, mas eu gosto de listas e de estatística. 

26
Dez20

#45/2020 - A educação de uma fada, Didier Van Cauweleart: arqueologia das estantes

livrosparaadiarofimdomundo

Editora Ambar

196 páginas

Encontrado numa escavação arqueológica nas minhas estantes.

É verdade, o grau de desconhecimento do conteúdo das minhas estantes é preocupante, se não for senilidade, é decerto prova de que compro mais livros do que aqueles que leio e isso não me deixa feliz. Não me lembro onde comprei este livro, não me lembro quando o comprei. A edição é de 2001. é mais recente do que julgava.

Um dia destes, procurando outra coisa completamente diferente, deparei-me com este livro. Este ano, uma das ideias que tive para presente de Natal para uma pessoa de quem gosto muito foi oferecer um dos livros da minha estante. A ideia era dar um presente com verdadeirovalor afetivo - dar um dos meus livros é dar um pouco de mim, sem anestesia - além de ser mais sustentável. A decisão não foi fácil, era preciso que eu já o tivesse lido, era preciso que eu tivesse gostado, uma das hipóteses teve de ser colcada de parte, por ser demasiado triste. E isto já parece um episódio dos Simpsons, não era disto que eu vinha falar. Enquanto selecionava o livro, encontrei este, parecia-me excelente para oeferecer, mas não podia ser, eu não me lembrava de o ter lido. Acabei por me decidir por outro e por tirar este da estante e decidir-me a lê-lo.

Chegei neste preciso momento dessa leitura. Estou a escrever a quente. Hoje é um dos meus dias preferidos. Depois da azáfama do Natal, das idas e das vindas, da cozinha e etc, o dia 26 de dezembro calhou a um sábado e um sábado frio. Com a lareira acesa, dediquei-me a horas tranquilas de leitura. Se isto não é a felicidade, não sei o que seja. Mas não foi bem uma leitura, foi uma voragem.

A estrutura do romance obedece ao fluxo de consciência dos seus dois protagonistas: Nicolas, um criador de jogos e brinquedos, e Cesar, uma emigrante iraquiana, curda, operadora de caixa num supermercado, que se conhecem e se leem pelos olhares trocados na caixa, tentando conhecer o outro nesse entremeio breve. São almas sensíveis, que carregam as suas mágoas e incertezas acerca do futuro. Pelo meio, há Raoul, uma criança de sete anos, que precisa desesperadamente de uma fada que lhe conceda três desejos. E o resto é uma escrita inteligente, sensível, bem-humorada, comovente e fluida que nos permite horas de excelente leitura. Há, neste livro, passagens belíssimas, verdadeiros bombons de Natal, que somos forçados a reler para intensificar o sabor. É tão bonito este livro! Pontuado de episódios enternecedores, edificantes e verdadeiros momentos de inspiração para nos conduzirmos na vida. Tornou-se, neste dia, um dos melhores livros que li em 2020. A arqueologia é uma ativiade que compensa.

Já quanto ao autor, que parece não estar praticamente traduzido em português - agora que eu me sentia capaz de aprofundar  a sua obra - é um importante escritor francês, bastante premiado, cujos livros inclusivamente se encontram adaptados aos cinema, como o filme Desconhecido/Sem Identidade, com Liam Neeson, de 2011. Quem diria?

Vou ali às minhas estantes, procurar mais uns livros..., mas não é já, porque hoje comprei mais um livro, O barulho das coisas ao cair, de Juan Gabriel Vásquez, a culpa não foi minha, tinha 10 euros de desconto na Bertrand. Já vos conto.

13
Dez20

#43/2020 - A vegetariana, Han Kang: um livro perturbador

livrosparaadiarofimdomundo

Wook.pt - A Vegetariana

Editora: D. Quixote

Páginas: 190

Da biblioteca.

Depois de Atos Humanos,  fiquei decidida a ler os restantes títulos de Han Kang, por ter considerado que é uma escritora definitivamente interessante. No entanto, precisei de alguns meses para lá regressar, porque o primeiro livro lido foi assim para o pesado, de "digestão difícil", mesmo para mim que gosto de literatura a sério e não só de entretenimento.

Numa passagem pela biblioteca, este Vegetariana, atravessou-se-me no caminho e pensei que já podia regressar a esta autora. É um romance pouco extenso, mas, como a partícula do Big Bang, carregadíssimo de sentido. O ponto de partida do livro é mais ou menos conhecido e se não é consta da sinopse. Trata-se da decisão abrupta de uma jovem mulher de deixar de comer carne, sem que se pressentisse o enorme impacto que essa decisão tem sobre as pessoas que com ela convivem. A estrutura do texto é fragmentária, como voltará a ser em Atos Humanos, já que este último é posterior a este romance. São três os pontos de vista assumidos: o do marido, o do cunhado e o da irmã, visões complementares dos efeitos trágicos que esta decisão tem sobre a vida das personagens.

O que, de facto, me agarrou neste livro é a forma como cada uma das personagens vive imerso na sua bolha existencial, é um livro sobre a incomunicabilidade. Yeong-hye não consegue explicar a sua opção, à partida porque sabe que não será compreendida, e não é, ninguém a consegue compreender, embora ninguém fique indiferente. Quem se aproxima mais dessa compreensão é a sua irmã, que se vai apercebendo que a pressão que o quotidiano exerce sobre ela é da mesma índole do exercido sobre a irmão, só que a segunda se deixou ir, cedeu a essa pressão e, indiferente a todas a formas de pressão, tentou encontrar uma saída para todas as formas de violência com que foi convivendo. A dada altura, no romance, afirma-se que as personagens se moviam como se estivessem no vácuo e esse dado permite descrever a impresão com que se fica do livro: cada uma das personagens ensimesmada, introspetiva, voltada para a a sua vida interior, tragicamente só, embora partilhando espaços, vidas, sexo, alimento. Todos se desconhecem, todos se (in)compreeendem, todos embatem contra o limite invisível da bolha em que vivem suspensos.

Há outro aspeto, que se prende com a forma como todos tentam "ajudar" a vegetariana, mas todas essas ajudas são outras tantas formas de violência: a do pai, a do marido, a do cunhado, a dos enfermeiros, a dos médicos, porque todos a querem forçar a voltar à tribo, a fazer parte, a adotar a mesma forma de viver, a reintegrar-se. A vegetariana resiste até abdicar da própria vida. Não quer comer carne, não quer comer de todo, quer ser árvore como forma de evitar toda a violência com que foi vivendo. Esta é a grande questão que o livro me colocou, quando temos a pretensão de salvar os outros, a apartir de que momento isso não é afinal uma forma de os condenarmos, de lhe impormos um sofrimento bem maior do que a morte? 

Por fim, tal como na outra leitura, é a lingugem, senhores, a linguagem é um supremíssimo íssimo íssimo bem na escrita de Han Kang. Apesar da crueza, do choque, da repugnância até, que visceralmente experimentamos na leitura, tudo é emoldurado numa expressão linguística que é quase poética, inefável, sublime. Daí que este livro seja, ainda assim, um texto belíssimo, estético e ético sobre a nossa miséria humana.

Mais um livro que é muito mais literatura que entretenimento. Vamos ao terceiro da autora? Vamos, pois.

10
Dez20

Calendário do advento... 10 no dia 10 #2

livrosparaadiarofimdomundo

Vamos continuar a listagem do nosso calendário do advento. Hoje alguém me disse que gostava de listas, o que me lembrou que, há cerca de dois ou três anos, fiz uma brincadeira com os meus filhos. Pegámos em três frascos, um para os filmes, outro para os livros que eu queria ler e o terceiro para os livros que a minha filha queria ler. Depois fizemos papelinhos com os títulos (como se fazem para o sorteio de natal), colocámo-los nos frascos e, quando fosse o momento de começar um livro novo ou de ver um filme, tirávamos o papelinho e éramos obrigados a obedecer ao que as cartas ditassem. Vou-me abster de vos contar o sucesso da ideia, que achei muito boa... mas eu não sou muito obediente e tenho alguma tendência para a rebeldia.

A propósito deste calendário do advento, voltei a lembrar-me do frasco e, como eu no que toca aos livros nunca consigo, ficar só por um, pelos vistos, nem para comprar, nem para requisitar (fui à biblioteca e trouxe dois), nem para emprestar, levo logo por atacado, achei que era boa ideia sugerir dez livros dos papelinhos do frasco que ainda está cá em casa. Vamos ver o que os astros nos reservam. Prometo ser honesta e "confessar" se os li ou não.

O Deus das Moscas, William Golding

Wook.pt - O Deus das Moscas

Os astros são mesmos tramados. Não é que hoje falei deste livro com uma colega da escola, que me perguntou se eu o conhecia, tendo eu de lhe confessar que nunca o tinha lido, mas que tenho um exemplar em casa... na prateleira dos livros a ler. Vou ler e prometo um post. 

2º 

O atalho dos ninhos de aranha, Italo Calvino

Pois... também não li. Adivinhem, tenho em casa na prateleira...

A fera na Selva, Henry james

idem, idem, aspas, aspas

4º 

Homens e Bichos, Axel Munthe

Homens e Bichos

Não li, tenho em casa, tem exatamente esta capa. Diz que está esgostado. 

5º 

Eneida, Vergílio

Tenho esta edição, não li. Está na prateleira dos livros a ler.

6º 

Terras do Demo, Aquilino Ribeiro

Tenho vergonha.

7º 

O Mensageiro das estrelas,

Sidereus Nuncius : O Mensageiro das Estrelas

Comprei por causa do Nuno Camarneiro. Tenho esta edição. Não o li.

Cisnes Selvagens, Jung Chang

Cisnes Selvagens

Tenho em casa, emprestado. Tenho a certeza que, pelo menos um dos meus leitores, sabe do que falo.

Paraíso e Inferno, Jón Stefánsson

 

Paraíso e Inferno

Pelo menos um para salvar a minha honra. Olhem para mim, inchada de orgulho. Tenho e já li. Adoro esta trilogia. Depois deste, li Os peixes não têm pés, e já não foi bem a mesma coisa.

10º

A rainha da neve, Michael Cunningham

A Rainha da Neve

É uma quase vergonha. Tenho, tem exatamente esta capa e já comecei. Foi há tanto tempo, que mais vale recomeçar. Mas é um quase. Pelo menos mereço pontos pela participação.

Resumo desta infeliz ideia: não valia mais eu estar sossegadinha. Então eu faço um frasco com livros que quero ler, descubro anos depois que os livros que quero ler tenho-os em casa e ainda não os li? Não é preciso ninguém pôr-me a ridículo, eu, pelos vistos, trato disso muito bem sozinha. Posso ter ainda o descaramento de fazer um desafio aos meus leitores: que acham de fazermos um desafio de leitura com estes títulos, exatamente por esta ordem? Quem ler primeiro, eu ofereço um livro! 

Enfim, o chocolate de hoje é mais agridoce que o Mon chéri, é assim apimentado, pimenta na língua para quem fala/escreve antes de pensar...hummmm, vou fazer uma encomenda na WooK...

 

09
Dez20

Calendário do advento... a partir do dia 9 de dezembro #1

livrosparaadiarofimdomundo

Tinha esta ideia, que era tão boa: a partir do dia 1 de dezembro, faria um calendário do advento com livros recomendados para o Natal e para quem quisesse. Depois a minha vida é como aqueles poemas da adolescência: "a minha vida é como um carro sem travões/ que me atropela como se eu tivesse dois corações", e não consegui. Mas, como sou teimosamente otimista, ou leviana, ou sem noção, ou acredito mesmo que vale sempre a pena, mesmo quando sou uma mulher pequena, achei que podia fazê-lo à mesma, a partir do dia de hoje.

Até ao famigerado ano de 2020, fazia a àrvore de natal no dia 8 de dezembro. Porquê? Normalmente, havia muitos testes para corrigir nesta altura do ano letivo e a partir deste dia já ninguém calava os meus filhos. Era por isso...

Já há Natal por todo o lado. Aliás acho que podíamos despachar este ano mais cedo e fazíamos o Natal a 25 de novembro e a passagem de ano a 1 de dezembro, mas já deixámos passar a oportunidade.

Um livro pode recomendar-se quando um homem quer, uma mulher deve lutar pela igualdade de direitos, portanto também recomendo quando me apetece.

Vou fazer como as crianças com o calendário de advento, como cheguei atrasada, como os nove chocolates todos de uma vez, ou seja, deixo aqui nove sugestões de livros para ler, para oeferecer, para comprar se for como eu e se achar que é mesmo importante acrescentar a prateleira dos livros que ainda não leu, para equilibrar a estante, que um livro é muito melhor que qulquer bibelot e fica muitíssimo bem em qualquer reunião ZOOM (e elas estão para durar). O compromisso é recomendar livros de que ainda não tenha falado aqui no blog

1º 

Os Loucos da Rua Mazur, Joaõ Pinto Coelho

À partida, será melhor que os do José Rodrigues dos Santos, é mais pequeno de certeza e também é mais barato. A verdade é que é muito bom e baseado num caso verídico e já que o Holocausto anda por aí como tendência...

Wook.pt - Os Loucos da Rua Mazur

2º 

Contos, Gabriel García Márquez

Conheci Gabriel Garcia Marquez precisamente através dos contos. Este volume reúne os contos que o escritor tinha publicado em vários volumes. É volumoso, causa tanto mpacto como um volume de José Rodrigues dos Santos, mas é mais literatura. É literatura muito a sério, com a pitada de realismo mágico que fez deste escritor um amigo para a vida. Faz parte do Plano Nacional de Leitura e é de confiar nessas pessoas, pelo menos a responsabildiade é grande.

Wook.pt - Gabriel García Márquez

3º 

Pantaleão e as visitadoras, Mário Vargas Llosa.

É um livro maroto, acho eu que melhor que as sombras todas que se têm publicado por aí com rostos de mulheres de batom vermelho em êxtase muito pouco cristão. Além de maroto, é muito, muito, muito engraçado. Deus sabe como precisamos de rir. Além disso, Vargas Llosa fica bem em qualquer lista.

Pantaleão e as Visitadoras

4º 

As pequenas Memórias, José Saramago

É importante trabalhar com a prata da casa, neste caso, é mais com o diamante. Nunca escondi que venero o escritor José Saramago. É tão genial. Recomendo este para que parem de dizer que o nosso Zézinho não usava as vírgulas. Tipo de observações literárias que me faz enumerar insultos sem vírgulas, mentalmente... em voz alta, respondo com muita calma e atiro com uma explicação técnica sobre a impossibilidade de lermos um texto sem vírgulas. Eu sei que há gente que acha que sim, mas não, não. Não sei porque é que não tem o carimbo do PNL.

Wook.pt - As Pequenas Memórias

 

5º 

Contos, Eça de Queirós

Também cheguei a Eça de Queirós através dos contos. Um conto em especial, "O Suave Milagre". Li-o tão nova, comoveu-me tanto. Vinha num livro castanho muito formato A3 que uma tia freira deu ao meu pai. Era o único livro que havia lá em casa. Trazia também a história de Benvenutto Cellini e depois vi uma estátua dele na ponte em Florença e fui feliz. Enfim, os contos de Eça de Queirós dão-nos uma formaçãozinha em humanismo. Recomendo também o "Frei Genebro". Está no PNL, logo é uma leitura/presente que fica bem.

Contos

 

6º 

A fada Oriana, Sophia de Mello Breyner

Foi o primeiro livro que li e lembrei-me dele quando falei em humanismo. É uma pérola. Só por causa disso, vou relê-lo. É tão bonito. Gosto tanto da Oriana e fiquei tão aliviada por ela ter conseguido salvar a velhinha (alerta spoiler).

A Fada Oriana

7º 

Gaspar, Belchior e Baltasar, Michel Tournier

Sim, é verdade, é a história dos reis magos. É tão maravilhoso este livro. Emprestei-o a alguém que não mo devolveu e o pior é que não sei quem foi (se me estás a ler e tens o meu livro, devolve-mo, gosto tanto dele). Antes de o Vasco Palmeirim ter escrito a letra da canção "Santiago, o quarto rei mago", Tournier tinha escrito este romance. Tem um arzinho de natal e é muito, muito, muito, bom. Leiam primeiro, ofereçam depois, não emprestem.

 

Gaspar, Belchior & Baltasar

 

O silêncio do mar, Vercors

Ora cá está a 2ª Gurra Mundial de novo. Li este livro em francês, leitura obrigatória no secundário. Não percebi metade, acho eu, mas ficou aquela imagem de alguém que se unia pela música e que falava contra um muro de silêncio. Acabei de o comprar para ler em português e tenho a certeza que vou gostar de novo. Como aliciante extra, é muito pequenino e e conta para a estatística como os romances de José Rodrigues dos Santos. Ainda vai a tempo de dizer que leu um livro este ano, nem tudo se perdeu.

O Silêncio do Mar

 

9º 

Tess dos D'Ubervilles, Thomas Hardy

Como acredito que ninguém aguentou ler isto até aqui, vou permitir-me (se permita!) a falácia. Não li. Era leitura de inglês no secundário. Mas eu não consegui, juro, eu percebia muito pouco o inglês. Vi o filme com um grupo de colegas. Lembro-me muito bem. Acho que o livro também deve ser bom. Quero ver quem é que me denuncia, ou seja, quero ver quem lê textos até ao fim. Se podemos fazer isto no facebook, aqui também deve dar. Não é preciso partilhar com 200 contactos e a pobreza no mundo vai continuar e a nossa pouca sorte também.

 

E pronto. Comemos os nove chocolates do advento. Leiam muito, é mais barato que outras coisas e tem menos efeitos secundários e os que tem não são maus. Mandem-me ler em vez de escrever tantos disparates.

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